A possível implementação de uma jornada semanal de 40 horas, com o fim da escala 6×1, pode resultar em um aumento de 7,84% no custo médio do trabalho celetista no Brasil. Essa análise foi realizada com base nos microdados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais) de 2023, levando em consideração que a redução da jornada implica em um aumento no custo da hora trabalhada. Assim, mantendo a remuneração nominal, a diminuição das horas trabalhadas resulta em um aumento automático do valor do salário-hora.
O levantamento indica que, ao considerar a participação da mão de obra nos custos totais de cada setor, o impacto tende a ser diluído. Em setores de grande porte, como a indústria e o comércio, a expectativa é que o efeito represente menos de 1% do custo operacional. No entanto, áreas mais sensíveis, como vigilância e investigação, podem enfrentar um impacto de até 6,6% nos seus custos operacionais.
Além disso, o estudo sugere que o impacto sobre os custos totais das empresas pode ser parcialmente absorvido, similar ao que ocorreu em reajustes anteriores do salário mínimo. Exemplos de aumentos passados, como os de 12% em 2001 e 7,6% em 2012, mostram que, apesar da elevação dos custos, não houve redução no nível de emprego. A redução da jornada prevista na Constituição de 1988 também não teria gerado efeitos negativos sobre a ocupação.
Um desafio destacado no estudo é para as empresas menores, que têm uma proporção maior de trabalhadores com jornadas superiores a 40 horas. Enquanto a média nacional é de 79,7%, esse número sobe para 87,7% nas empresas com até quatro empregados e 88,6% nas que têm entre cinco e nove trabalhadores. Setores como educação e serviços pessoais podem enfrentar dificuldades para se adaptar a essa nova realidade, necessitando de soluções como a contratação de trabalhadores em meio período para atender à demanda.
