A internação compulsória de pessoas em situação de rua, apresentada como solução para riscos individuais ou coletivos, foi discutida em audiência pública realizada nesta segunda-feira na Assembleia Legislativa do Paraná. O deputado Requião Filho destacou a complexidade do tema e alertou sobre o tratamento desumano dado a esses indivíduos em casos como o de Curitiba e outros municípios do estado.
O parlamentar criticou o modelo adotado, classificando-o como uma forma de ‘limpeza’ urbana e não de cuidado à população vulnerável. Ele apontou a necessidade de equipes especializadas, como psiquiatras e psicólogos, e de um devido processo antes de qualquer decisão de internação involuntária, que deve ser a última opção. O ato da Prefeitura de Curitiba, que normatiza leis federais e estaduais, gerou preocupação por ser vendido como resposta ao problema.
A conselheira-secretária do Conselho Regional de Psicologia do Paraná, Marina Pires Alves Machado, ressaltou que a internação compulsória pode causar danos psicológicos e que políticas públicas devem ser construídas com base em estudos científicos. Ela considerou o modelo atual um retrocesso no enfrentamento à situação de rua.
A audiência buscou discutir alternativas mais adequadas e humanizadas para lidar com o problema social, avaliando se a internação involuntária atende às necessidades reais da população em risco.

