Fontes de inteligência indicam que o governo nigeriano pagou um resgate milionário a militantes do Boko Haram para a libertação de até 230 crianças e funcionários da escola católica Saint Mary, no Estado de Níger. Em contrariedade à legislação nacional, que proíbe pagamentos a sequestradores, autoridades negam a realização de qualquer pagamento e afirmam que não têm agentes que paguem resgates.
O grupo armado sequestrou cerca de 300 alunos e funcionários em 21 de novembro, e pelo menos 50 deles conseguiram escapar. O valor do resgate teria sido de aproximadamente 40 milhões de nairas por pessoa, totalizando cerca de US$ 7 milhões. Além da libertação dos reféns, dois comandantes do Boko Haram também teriam sido soltos como parte do acordo.
As negociações que resultaram na libertação dos reféns duraram duas semanas e foram lideradas pelo conselheiro de segurança nacional, Nuhu Ribadu. O pagamento foi supostamente transportado de helicóptero até Gwoza, um reduto do grupo no Estado de Borno, e entregue ao comandante Ali Ngulde.
O Boko Haram, um grupo jihadista ativo desde o início dos anos 2000 no nordeste da Nigéria, busca a imposição de uma versão radical da lei islâmica e rejeita instituições ocidentais. Desde 2009, o grupo tem realizado uma insurgência violenta contra o governo nigeriano, marcada por atentados e sequestros em massa, incluindo o rapto de mais de 200 estudantes em 2014.