O governo dos Estados Unidos deve classificar, nas próximas semanas, as facções criminosas brasileiras Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas estrangeiras. O Brasil se opõe a essa designação, acreditando que poderá ser alvo de intervenções militares americanas, similar ao que ocorreu na Venezuela em janeiro.
A movimentação dos EUA foi noticiada após uma reunião entre Donald Trump e presidentes latino-americanos na Flórida, onde foram discutidas operações de combate ao crime organizado. A documentação necessária para a classificação já foi encaminhada, e o processo envolve várias agências, incluindo os departamentos de Estado e do Tesouro.
Recentemente, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, conversou com o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, para discutir a relação entre os países. O Itamaraty não comentou a conversa, mas é esperado que Vieira reforce a posição do Brasil, argumentando que classificar o PCC e o CV como terroristas contraria a legislação brasileira.
A proposta de classificar essas facções como terroristas no Brasil foi excluída de um projeto de lei antifacção recém-aprovado no Congresso Nacional, devido à falta de apoio da maioria dos parlamentares. A classificação norte-americana, se ocorrer, pode congelar ativos dos membros das facções nos EUA, impedir seu acesso ao sistema financeiro e aumentar os riscos legais para empresas que operam nas regiões afetadas.

