Erika Hilton, deputada do PSOL-SP, protocolou uma representação no Ministério Público de São Paulo pedindo investigação contra o apresentador Ratinho. A solicitação foi feita devido a declarações proferidas durante seu programa no SBT, que a parlamentar considera discriminatórias. O documento foi enviado ao Grupo Especial de Combate aos Crimes Raciais e de Intolerância e pede a abertura de um inquérito policial, além da prisão do apresentador, que poderia enfrentar pena de até seis anos se condenado.
As declarações de Ratinho ocorreram na noite anterior, após a eleição de Erika Hilton para a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados. Durante seu programa, o apresentador questionou a eleição de uma mulher trans para o cargo, afirmando que “ela não é mulher, ela é trans” e defendendo que o cargo deveria ser ocupado por uma mulher cisgênero.
Hilton argumenta que as falas de Ratinho negam sua condição feminina e sustentam que mulheres trans não podem ser consideradas mulheres, o que, segundo ela, é uma tentativa de inviabilizar a presença de pessoas trans em espaços de defesa dos direitos das mulheres. A deputada também ressaltou que a transmissão em rede nacional ampliou o alcance das declarações e potencializou seus efeitos nas redes sociais.
Na representação, a parlamentar afirma que as declarações do apresentador não se restringem a uma crítica política, mas constituem uma negação explícita de sua identidade de gênero, caracterizando um discurso discriminatório. Essa conduta, segundo ela, evidencia a necessidade de ação judicial frente ao conteúdo veiculado.

