Queda na leitura masculina: homens representam apenas 39% dos leitores de livros

Levantamento indica que 39% dos homens leram livros em 2025, enquanto 61% das mulheres consumiram obras literárias..
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Foto: 1 de 1 Arte para matéria sobre o por que homens leem menos que as mulheres

Um levantamento da Câmara Brasileira dos Livros (CBL) revelou que, no ano passado, apenas 39% dos homens consumiram livros, enquanto esse número foi de 61% entre as mulheres. Essa disparidade se torna ainda mais intrigante quando se observa que, historicamente, os autores mais reconhecidos na literatura são em sua maioria do sexo masculino, como Machado de Assis e Fiódor Dostoiévski, enquanto figuras femininas como Jane Austen e Virginia Woolf têm menor visibilidade.

Apesar da predominância masculina nas listas de mais vendidos, as mulheres têm se destacado como as principais consumidoras de livros. O Panorama do Consumo de Livros de 2025, realizado pela CBL em parceria com a NielsenIQ BookData, aponta que as mulheres negras e pardas representam 30% do total de leitores e que muitas delas são responsáveis pela compra de livros.

Entre os dez títulos mais vendidos em 2024 e 2025, sete eram de autores homens, superando até mesmo Colleen Hoover, uma autora que conquistou notoriedade na última década. Isso levanta a questão: por que os homens leem menos, mesmo sendo os autores mais lidos do mercado?

De acordo com especialistas, a diferença no consumo de leitura entre gêneros pode ser atribuída a fatores como o tempo gasto em mídias sociais. Um estudo do Ofcom, órgão regulador do Reino Unido, revelou que as mulheres passam em média 33 minutos a mais por dia online do que os homens. Enquanto elas dominam redes como Instagram e TikTok, os homens tendem a utilizar plataformas como Reddit e X (antigo Twitter).

Além disso, os homens gastam 39% mais tempo acessando notícias online em comparação às mulheres. Essa tendência sugere que eles preferem uma leitura mais utilitária e fragmentada, voltada para a obtenção de informações, ao invés de se dedicarem a uma leitura mais profunda e empática, como a ficção exige.

Esses dados provocam uma reflexão sobre os hábitos de leitura e a dinâmica de consumo literário em um contexto onde a produção literária masculina ainda é amplamente reconhecida e consumida.

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