O ex-presidente Rumen Radev conquistou as eleições parlamentares na Bulgária, alcançando 44,7% dos votos na segunda-feira, 20. O resultado formal confirma uma vitória significativa do partido Bulgária Progressista, encerrando um ciclo de oito eleições realizadas em um período de cinco anos. Com essa vitória, um aliado de Moscou assume o comando de um país que integra a União Europeia (UE) e a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).
Radev, que deixou a presidência em janeiro para concorrer ao Legislativo, derrotou a coalizão pró-Europa, que obteve 12,8% dos votos, e o partido GERB, liderado por Boyko Borissov, que alcançou 13,4%. O novo líder expressou a intenção de interromper o apoio militar à Ucrânia e de restabelecer o fornecimento de gás e petróleo da Rússia para a Bulgária, que possui uma população de aproximadamente 6,5 milhões de habitantes.
A vitória foi celebrada pelo Kremlin assim que os resultados mostraram a derrota dos partidos tradicionais. A campanha de Radev seguiu uma estratégia semelhante à de Viktor Orbán, da Hungria, focando em críticas à dependência da Europa em relação às energias renováveis e à adoção do euro. O ex-piloto de caça se beneficiou do descontentamento popular em relação à inflação e à corrupção, fatores que levaram à queda do governo anterior em dezembro.
Apesar do discurso eurocético, a nova administração sinaliza a possibilidade de manter o compromisso com o "caminho europeu" em algumas áreas. Especialistas acreditam que Radev deve ter dificuldade em reverter a entrada da Bulgária na zona do euro, que aconteceu em janeiro. O presidente do Conselho Europeu, Antonio Costa, parabenizou o novo líder e manifestou a expectativa de colaborar em uma agenda comum com a Bulgária.
A adoção da moeda única europeia resultou em um aumento significativo no custo de vida no país. O governo anterior enfrentou a queda após a proposta de novos impostos para a segurança social. Agora, Radev terá o desafio de lidar com a crise demográfica e econômica em um cenário onde os eleitores demonstram cansaço com a instabilidade política crônica.
Durante o pleito, as autoridades prenderam mais de 400 pessoas sob suspeita de compra de votos, refletindo um esforço do Estado em combater fraudes que marcaram eleições anteriores. Nos próximos dias, Radev deverá decidir se governará de forma isolada ou se buscará formar uma coalizão para assegurar a reforma judicial prometida durante sua campanha.

