Na terça-feira, 21, o presidente Donald Trump declarou que a extensão da trégua com o Irã é "altamente improvável", citando o desrespeito do país ao cessar-fogo estabelecido desde 8 de abril. As afirmações foram feitas em uma publicação na rede Truth Social, onde Trump também afirmou que o Irã violou o acordo "inúmeras vezes". O cessar-fogo está programado para expirar na noite desta quarta-feira, 22, conforme o horário de Washington. O presidente norte-americano complementou que não irá ceder a pressões para firmar um acordo desfavorável.
A situação entre os dois países se agravou após a Marinha dos Estados Unidos apreender o petroleiro iraniano M/V Touska no Mar Arábico. O Comando Central dos EUA confirmou que disparou contra os motores da embarcação quando esta tentou furar o bloqueio naval imposto aos portos do Irã. Trump afirmou que o Estreito de Ormuz permanecerá fechado e somente será reaberto após a assinatura de um tratado definitivo.
No mesmo dia, uma delegação de alto nível dos Estados Unidos, liderada pelo vice-presidente JD Vance, chegou a Islamabad para uma rodada crucial de negociações. O grupo inclui Jared Kushner, genro de Trump, e o enviado Steve Witkoff. Este encontro no Paquistão é a última tentativa de evitar a retomada das hostilidades, após uma reunião anterior, realizada no dia 11, ter terminado sem avanços.
O governo dos EUA acredita que o Irã está "desesperadamente" buscando a reabertura das rotas comerciais. Entretanto, Trump afirmou que possui "todo o tempo do mundo" para conduzir as negociações. A Casa Branca espera que os diálogos aconteçam entre a noite de terça e a manhã de quarta-feira, pouco antes do término do cessar-fogo mediado pelos paquistaneses.
Em resposta, o presidente do parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, criticou as declarações de Trump e qualificou o bloqueio naval como um "cerco". Ghalibaf afirmou que o Irã não aceitará negociar "sob a sombra de ameaças" e acusou o presidente norte-americano de tentar transformar a mesa de negociações em uma "mesa de rendição". O líder iraniano também prometeu "revelar novas cartas no campo de batalha" se as hostilidades forem retomadas.
No último sábado, a República Islâmica já havia restabelecido restrições no Estreito de Ormuz, revertendo uma decisão anterior que permitia a abertura. O clima de intransigência entre as partes mantém as forças militares em estado de alerta máximo no Oriente Médio.

