No dia 23 de abril de 2026, às 10h11, a agenda ambiental brasileira ganhou um novo contorno. Após a realização da Conferência do Clima (COP-30), onde foram feitas promessas de investimentos em energia sustentável, o presidente Lula anunciou um leilão histórico para a construção de termelétricas, priorizando o uso de gás natural e carvão mineral. Essa decisão gerou controvérsia, uma vez que as novas usinas podem emitir cerca de 14.985 toneladas de CO₂ por hora, dificultando as metas de descarbonização do Brasil.
A participação das termelétricas na matriz energética nacional deverá aumentar de 19,6% para cerca de 23,5%, o que indica uma mudança significativa na estratégia energética do país. Essa movimentação ocorre em um contexto onde o risco de desabastecimento é considerado baixo, e alternativas como baterias para armazenamento de energia solar e eólica já estão disponíveis no mercado.
A escolha de intensificar o uso de combustíveis fósseis, especialmente em um ano eleitoral, levanta questões sobre os motivos por trás dessa decisão. O leilão, que se mostrou polêmico e com pouca concorrência, resultou na contratação de 19 GW, com destaque para a Eneva, controlada pelo BTG de André Esteves, que obteve 5 GW, correspondendo a 27% do volume total. Essa conquista garantirá à empresa uma receita fixa anual de R$ 11,7 bilhões ao longo de 15 anos.
A Petrobras ficou em segundo lugar no leilão, contratando 4,8 GW e com uma receita fixa estimada em R$ 9,2 bilhões. A Âmbar, do grupo J&F, foi a terceira colocada, assegurando 2,5 GW com uma receita anual de R$ 5,8 bilhões. A expectativa é que esses grupos consigam recuperar seus investimentos em menos de dois anos, evidenciando a atratividade financeira desse novo modelo.
Para complicar ainda mais a situação, o ministro Alexandre Silveira lançou um edital com um preço-teto estimado em R$ 313 bilhões. Silveira tem se mostrado ativo em eventos do BTG, discutindo políticas que impactam diretamente os investimentos do grupo, o que levanta dúvidas sobre a transparência do processo. No ano anterior, sua atuação foi crucial na edição de uma Medida Provisória que beneficiou a Amazonas Energia, comprada pela Âmbar, transferindo custos de contratos termelétricos para os consumidores.
A energia gerada por termelétricas, além de ser mais poluente, é também mais cara. Projeções indicam que o impacto do leilão na conta de luz poderá ser de pelo menos 10%. Essa realidade se torna um desafio adicional para os consumidores, que enfrentarão os efeitos dessa decisão em um cenário político e econômico já complicado. O futuro próximo exige atenção, especialmente com as eleições se aproximando e as promessas de sustentabilidade sendo postas à prova.

