O Pentágono anunciou, nesta sexta-feira, 1º, a retirada de 5 mil soldados americanos da Alemanha, uma ordem que partiu diretamente do presidente Donald Trump. Essa ação reduz o número total de militares norte-americanos em solo alemão, que passa de 38 mil para 33 mil, e acentua a crise diplomática entre Washington e o governo liderado pelo chanceler Friedrich Merz.
A tensão entre os dois líderes se intensificou após Merz criticar a postura dos Estados Unidos em relação ao Irã. Em resposta, Trump atacou publicamente o chanceler, acusando-o de desconsiderar a ameaça de um Irã com armamento nuclear. O presidente americano enfatizou, em sua rede social, que Merz “não sabe do que está falando” e advertiu que o mundo poderia se tornar refém de um regime iraniano armado.
O ministro da Defesa da Alemanha, Boris Pistorius, manifestou-se no sábado, 2, afirmando que a Europa precisa assumir maior responsabilidade por sua própria segurança. Ele classificou a retirada das tropas americanas como uma ação previsível e indicou que o governo alemão está acelerando esforços para aumentar o efetivo das Forças Armadas de 185 mil para 260 mil soldados.
A Organização do Tratado do Norte do Atlântico (Otan) está monitorando a situação de perto, trabalhando em conjunto com Washington para entender os impactos da redução do contingente militar. A aliança militar considera que essa diminuição das tropas ressalta a urgência de que a Europa amplie seus investimentos em defesa. Recentemente, os aliados concordaram em destinar 5% do PIB para essa área, mas a implementação de melhorias nas capacidades militares pode levar anos.
A base aérea de Ramstein continua a ser um ponto central das operações dos Estados Unidos na Europa, mas a retirada das tropas altera o equilíbrio político na região. Trump já havia tentado em 2020 retirar 12 mil soldados, mas a proposta foi bloqueada no Congresso antes da posse de Joe Biden. Agora, o presidente retoma essa estratégia, visando pressionar aliados que não alinham suas políticas com a posição externa dos Estados Unidos.
Berlim reconhece que existem lacunas significativas em sua defesa. Críticos de Pistorius apontam que o plano de expansão das Forças Armadas é insuficiente frente à ameaça russa. Em meio a orçamentos limitados, Trump também sinaliza que novas reduções de tropas poderão ocorrer em breve caso a cooperação da Alemanha não se altere.

