A Polícia Federal deflagrou uma nova fase da Operação Compliance Zero, na qual o senador Ciro Nogueira (PP/PI) é alvo de investigações sobre sua relação com o antigo Banco Master. O relatório que foi enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF) alega que o parlamentar teria recebido vantagens indevidas do empresário Daniel Vorcaro, controlador da instituição financeira.
Um dos pontos centrais da investigação é uma emenda legislativa apresentada por Ciro Nogueira, que visava aumentar a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito de R$ 250 mil para R$ 1 milhão. De acordo com a PF, a proposta teria sido elaborada com a participação de representantes do Banco Master, o que indicaria uma possível aliança entre os interesses da instituição e a atuação do senador no Congresso Nacional.
Além da emenda, o relatório detalha uma série de benefícios patrimoniais supostamente concedidos a Nogueira. Entre as irregularidades apontadas estão “pagamentos mensais”, aquisição de participação societária com “expressivo deságio”, custeio de despesas pessoais, uso de bens de alto valor e “indícios de recebimento de numerário em espécie”.
A investigação revela que Daniel Vorcaro, atualmente preso, teria estabelecido uma rede de conexões que envolve diversos agentes influentes em diferentes esferas de poder. Junto a Ciro Nogueira, o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, também é mencionado, assim como figuras do Judiciário, incluindo os ministros Dias Toffoli, Ricardo Lewandowski e Alexandre de Moraes, além de sua esposa, Viviane Barci. O relatório ainda destaca pagamentos significativos ao jornalista Diego Escosteguy.
Até o momento, não houve manifestação pública da defesa de Ciro Nogueira sobre as acusações levantadas pela investigação. Os advogados de Daniel Vorcaro também não comentaram o conteúdo do relatório enviado ao Supremo. A Operação Compliance Zero continua a investigar a concessão de benefícios a agentes públicos em troca de medidas favoráveis aos interesses do Banco Master, que é controlado por Vorcaro.

