Thiago Ávila e Saif Abu Keshek foram deportados de Israel no último domingo, 10, após serem detidos durante uma tentativa de furar o bloqueio marítimo a Gaza. A ação ocorreu em meio a uma série de audiências que o brasileiro enfrentou em um curto espaço de tempo, com seu caso analisado por duas instâncias da Justiça israelense. A deportação da dupla ocorreu durante a madrugada, gerando repercussão nas redes sociais e entre os eleitores no Brasil.
Contrariando a narrativa amplamente divulgada pela imprensa internacional, a detenção de Ávila e Keshek não se deu de forma arbitrária, mas sim por acusações mais sérias. Eles foram investigados por prestar apoio a um inimigo em tempo de guerra e por suposta afiliação a um grupo vinculado ao Hamas. O major Rafael Rozenszjain, porta-voz do Exército de Israel, reiterou que a prisão em águas internacionais está prevista no Direito Internacional, reconhecendo a jurisdição extraterritorial em casos que envolvem ameaças à segurança nacional.
Ambos os detidos são associados à Conferência Popular para Palestinos no Exterior (PCPA), um dos seis grupos que têm ligação com o Hamas e que atuam na mobilização de apoio internacional. A PCPA, criada em 2018, é considerada uma organização terrorista tanto por Israel quanto pelos Estados Unidos e está sob vigilância da Inteligência israelense.
Em setembro de 2025, após a realização da primeira flotilha Sumud, que também resultou na deportação de seus participantes, as autoridades israelenses divulgaram um relatório que documentava o envolvimento de grupos como a PCPA em atividades terroristas, incluindo assassinatos de israelenses. Isso ressalta a seriedade das acusações enfrentadas por Ávila e Keshek.
A prisão de ambos gerou mais atenção do Hamas, que se manifestou em agradecimento pela ação dos ativistas, do que entre a população israelense. Dois momentos se destacaram na cobertura local: a alegação das advogadas de defesa de Ávila sobre sua captura durante uma pescaria na Grécia e um vídeo que circulou nas redes sociais, onde o brasileiro aparenta simular estar algemado.
A deportação de Ávila e Keshek, em meio à crescente histeria nas redes sociais brasileiras, também trouxe à tona discussões sobre o papel das jurisdições internacionais e as implicações do Direito Internacional em casos de segurança nacional. A próxima flotilha, prevista para ser anunciada em breve, poderá novamente acirrar os ânimos em torno da situação em Gaza e das ações do Estado de Israel.

