O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), expressou em entrevista à Rádio TMC que a relação entre o Congresso Nacional e o governo do presidente Lula (PT) é mais equilibrada do que a observada nas gestões anteriores. A declaração foi feita no dia 12 de maio de 2026, às 15h22.
Motta destacou que, atualmente, o ambiente entre o Executivo e o Legislativo é caracterizado por diálogo e respeito institucional, além de uma maior independência do Parlamento. Ele ressaltou que, em administrações passadas, os parlamentares enfrentavam pressões para aprovar projetos de interesse do Palácio do Planalto. "Prefiro muito mais o governo atual, que mantém uma relação de harmonia, diálogo e respeito, do que a relação antiga, quando os parlamentares ficavam com o pires na mão e eram coagidos pelo Executivo para aprovar matérias", afirmou.
O presidente da Câmara atribuiu a melhoria nas relações ao fortalecimento da autonomia do Congresso e à nova configuração das emendas parlamentares, que agora têm caráter impositivo. Para Motta, essa nova dinâmica entre os Poderes promove debates com menos subordinação política, o que é benéfico para o país. "Essa relação de igualdade ajuda o país e permite que os temas sejam discutidos com mais responsabilidade, sem dependência e sem subserviência", comentou.
Durante a conversa, Motta também defendeu as emendas parlamentares como instrumentos essenciais para políticas públicas, diferenciando-as dos chamados "penduricalhos" que são recebidos por servidores acima do teto constitucional. "Fazer comparação entre emenda e penduricalho é não entender de política pública. Emenda melhora a qualidade de vida da população, principalmente onde o governo muitas vezes não consegue chegar", explicou.
O parlamentar abordou ainda a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que propõe alterações na jornada de trabalho, incluindo o possível fim da escala 6×1. Segundo ele, as discussões estão avançando na comissão especial da Câmara, com consenso em torno de um modelo de trabalho em escala 5×2, que manteria a carga semanal de 40 horas sem redução salarial. Motta enfatizou que os trabalhadores merecem mais tempo para descanso e convívio familiar, o que, segundo ele, também contribui para a produtividade no ambiente de trabalho.
Além disso, Motta reiterou a importância da aplicação da Lei da Dosimetria, que foi aprovada pelo Congresso para revisar critérios de punição relacionados aos condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023. Essa defesa se dá em meio à suspensão dos primeiros pedidos baseados na nova legislação pelo ministro Alexandre de Moraes, aguardando análise do plenário do STF sobre a constitucionalidade da norma. O presidente da Câmara afirmou que o Congresso defenderá a aplicabilidade da lei, que foi aprovada com ampla maioria nas duas Casas: "O caminho aprovado pelo Congresso foi claro, inclusive com derrubada do veto presidencial. Vamos defender a aplicabilidade da dosimetria", finalizou.

