O artigo de Kristof recebeu críticas severas, especialmente de David Shuster, jornalista com experiência em redes como i24News, Fox News e CNN. Em sua conta no X, Shuster afirmou que o NYT veiculou um conjunto de declarações não verificadas de apoiadores do Hamas, conhecidos por um histórico de desinformação e mentiras. Ele ainda destacou que, apesar de o texto não ter sido retirado do ar, o embaraço gerado para os colegas de profissão é inegável.
Dentre as 14 fontes citadas por Kristof, apenas duas se identificaram e permitiram ser fotografadas. Uma delas, Sami al-Sai, é um jornalista freelancer que já havia feito acusações semelhantes em 2017 enquanto estava sob a custódia do Serviço de Inteligência palestino. Naquela ocasião, suas queixas foram negadas, tanto por autoridades palestinas quanto pelo sistema judicial israelense. Além disso, al-Sai não apresentou provas concretas para respaldar suas alegações.
O artigo também é criticado por incluir elementos considerados fantasiosos, como a afirmação de que o estupro sistemático de palestinos seria perpetrado não apenas por agentes do Serviço de Segurança Nacional de Israel, mas também por cães treinados para esse fim. Tal afirmação gerou indignação e desconfiança sobre a credibilidade do relato.
O Ministério das Relações Exteriores de Israel alegou que o artigo visa desviar a atenção do relatório No More Silence: the Sexual Terror Unveiled. Este documento, que resulta de dois anos de pesquisa, foi elaborado com base em 430 entrevistas e análise de 10 mil itens, e traz à tona o uso sistemático da violência sexual pelo Hamas durante o massacre de 7 de outubro de 2023. O relatório conta com a participação de especialistas, como Irwin Cotler, ex-ministro da Justiça do Canadá e defensor dos Direitos Humanos.
A publicação do artigo pelo NYT provocou reações organizadas, como a manifestação promovida pela ONG EndJewHatred, que criticou o jornal por disseminar o que considera ser libelos antissionistas. O lema do protesto, que resume a indignação dos manifestantes, clama por um fim às alegações infundadas e à desinformação relacionada ao conflito.
Esses eventos se inserem em um contexto mais amplo de tensões e desinformação que permeiam a cobertura sobre a situação entre Israel e Palestina, levantando questões sobre a responsabilidade dos meios de comunicação na apresentação de narrativas complexas e delicadas.

