O Paraguai, sob a liderança de Santiago Peña, está promovendo uma articulação diplomática na América do Sul para enfrentar a crise política na Bolívia. O país mobilizou diversas nações da América Latina com o objetivo de assinar um comunicado conjunto que condena o que considera uma tentativa de golpe contra o governo de Rodrigo Paz.
Até a manhã do último domingo (17), países como Argentina, Chile, Costa Rica, Equador, Guatemala, Panamá e Peru se uniram à iniciativa de Assunção. Este movimento visa isolar o ex-ditador Evo Morales e sua ala política, conhecida como "evista", em um contexto de crescente tensão na região. O documento manifesta preocupação com a situação humanitária na Bolívia e rejeita qualquer ação que busque desestabilizar a ordem democrática do país.
A declaração, que já conta com a assinatura de vários países, expressa a inquietação em relação à crise humanitária provocada pelos protestos e bloqueios de estradas na Bolívia, que resultaram em desabastecimento de alimentos e insumos essenciais. Os signatários do documento afirmam: "manifestamos nossa preocupação pela situação humanitária na Bolívia, produto dos protestos e bloqueios de estradas que derivaram no desabastecimento de alimentos e insumos essenciais para a população".
Além disso, o texto também denuncia ações que busquem alterar a institucionalidade do governo constitucional do Estado Plurinacional da Bolívia, que foi eleito democraticamente nas Eleições Gerais de 2025. Os Apoiadores de Evo Morales estão realizando bloqueios em várias regiões do país como forma de pressão, especialmente após a emissão de uma ordem de prisão contra o ex-presidente, que enfrenta acusações de tráfico de pessoas e estupro.
As manifestações, que já se estendem por quase duas semanas, exigem a renúncia do atual presidente Rodrigo Paz. Os bloqueios estão concentrados em departamentos como La Paz, Cochabamba e Oruro, áreas historicamente vinculadas à base de apoio de Morales. O governo de Rodrigo Paz afirma que essas mobilizações são parte de um plano orquestrado por Morales para desestabilizar a democracia e obstruir o processo judicial que ele enfrenta.
Além de exigir o fim das manifestações, a ala "evista" está cobrando garantias para a candidatura política de Morales, que foi barrada pela Justiça Eleitoral boliviana. A situação na Bolívia continua a ser um ponto de tensão na região, e a resposta do Paraguai e de outros países da América Latina reflete a preocupação com a manutenção da democracia e da ordem pública na nação vizinha.

