Desembargadora que responde a acusações recebe salários milionários sem funções no TJ-BA

Maria do Socorro Barreto Santiago, afastada por envolvimento na Operação Faroeste, acumulou R$ 1,3 milhão em salários.
WhatsApp
Facebook
Twitter
Print
A desembargadora Maria do Socorro Barreto Santiago — Foto: A desembargadora Mari

A desembargadora Maria do Socorro Barreto Santiago, afastada em decorrência da Operação Faroeste, tem recebido salários que totalizam R$ 1,3 milhão desde abril de 2024, mesmo sem exercer qualquer função no Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA). O levantamento realizado pelo jornal O Estado de S. Paulo revela que, durante esse período, a magistrada não participou de atividades judiciais.

Os valores recebidos por Maria do Socorro causam estranheza, especialmente considerando seu status como ré em um processo que investiga a venda de sentenças. Em abril de 2026, quando passou a responder criminalmente, a desembargadora teve um contracheque líquido de R$ 104 mil. Entre janeiro e maio de 2026, os pagamentos acumulados somaram R$ 267 mil, enquanto em 2025 os rendimentos totalizaram R$ 664 mil, todos sem qualquer atuação funcional.

O afastamento de Maria do Socorro é resultado da Operação Faroeste, uma investigação conduzida pela Polícia Federal com supervisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Esta operação visa apurar um esquema de corrupção que envolve magistrados do TJ-BA, sendo Adailton Maturino e sua esposa, a advogada Geciane Maturino, identificados como figuras centrais na troca de pagamentos e vantagens indevidas à desembargadora.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) alega que a desembargadora teria encoberto o recebimento de propinas através de empréstimos fictícios com familiares, totalizando R$ 480 mil, com cheques emitidos por uma empresa de Adailton Maturino. Além disso, um valor de R$ 275 mil em espécie foi utilizado por seu genro para a compra de um imóvel, quantia considerada de origem ilícita pelos investigadores.

Entre as evidências coletadas, destaca-se o presente de um relógio Rolex, avaliado em R$ 120 mil, que a desembargadora recebeu de Maturino. O item foi apreendido durante a execução de um mandado de busca e apreensão na residência de Maria do Socorro e é um dos vários indícios de sua relação com o esquema.

Outro aspecto investigado é a relação de Adailton Maturino com um restaurante japonês em Salvador, onde despesas de magistrados eram pagas por sua conta pessoal. A empresa do operador custeou cerca de R$ 1,5 milhão em gastos nesse estabelecimento, e Maria do Socorro é apontada como uma das beneficiárias desse esquema.

PUBLICIDADE

Relacionadas: