Na manhã do dia 20 de maio de 2026, a influenciadora digital e advogada Deolane Bezerra foi detida durante uma operação do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) e da Polícia Civil. A ação visa desmantelar um esquema de lavagem de dinheiro vinculado ao Primeiro Comando da Capital (PCC), o maior grupo narcoterrorista do Brasil. A prisão ocorreu em Barueri, São Paulo, logo após o retorno de Deolane de uma viagem à Itália.
Deolane é suspeita de ter conexões com uma estrutura financeira que facilita a movimentação de recursos ilícitos do PCC, utilizando uma transportadora de valores situada no interior paulista. Juntamente com ela, Everton de Souza, conhecido como “Player”, e Paloma Sanches Herbas Camacho, sobrinha de Marcola, líder da facção que reside atualmente em Madri, também foram presos.
A Operação Vérnix, que resultou na prisão de Deolane e outros, tem como alvo adicional Alejandro Camacho, irmão de Marcola, e Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho, sobrinho do chefe do PCC. Ao todo, foram expedidos seis mandados de prisão preventiva e diversas ordens de busca e apreensão. Além disso, um mandado também foi emitido contra Marcola, que já se encontra cumprindo pena em um sistema prisional federal.
A Justiça determinou o bloqueio de R$ 357,5 milhões em bens e ativos financeiros relacionados aos investigados. Desses, R$ 27 milhões estão diretamente vinculados a Deolane Bezerra. A operação é um desdobramento de investigações iniciadas em 2019, que começaram após a apreensão de bilhetes escritos por detentos na Penitenciária II de Presidente Venceslau, revelando a estrutura interna do PCC e possíveis planos de ataques a agentes públicos.
Durante as investigações, a Polícia Civil identificou menções a uma “mulher da transportadora”, que supostamente levantava endereços de servidores para auxiliar o grupo narcoterrorista. Isso levou à descoberta de uma transportadora em Presidente Venceslau, considerada central no esquema. A investigação revelou indícios de repasses financeiros para Deolane, além de uma relação próxima entre ela e um dos operadores da transportadora.
A análise das movimentações financeiras de Deolane apontou para uma posição central na operação, com transações consideradas incompatíveis com seu patrimônio declarado. A compra de bens de luxo e recebimentos sem origem esclarecida levantaram suspeitas sobre suas atividades financeiras. Os investigadores destacam que a estrutura empresarial, a exposição pública dos envolvidos e o fluxo de valores milionários eram utilizados para disfarçar a origem ilícita do dinheiro do PCC.

