O emblemático caso de Ana Lídia Braga, uma menina de apenas 7 anos sequestrada e assassinada em 1973, será adaptado para o cinema. O filme, intitulado "Cerrado Seco", será gravado em Brasília e se concentrará na narrativa de suspense psicológico, explorando o impacto duradouro do crime na família e na sociedade.
Dirigido por Bruno Caldas, o longa-metragem contará com as atuações de Rafa Vitti e João Vitti. A produção se propõe a revelar como o passado oculto de uma elite pode transformar vítimas em suspeitos e a verdade em um elemento perigoso.
O assassinato de Ana Lídia é considerado um dos crimes mais emblemáticos e enigmáticos da história da capital federal. Mais de 50 anos após o ocorrido, o caso ainda carece de respostas definitivas e se mantém cercado de incertezas que perduram por gerações. O crime teve início em 11 de setembro de 1973, em um contexto de ditadura militar, quando a menina desapareceu após ser deixada pelos pais em uma escola localizada na Asa Norte, no Plano Piloto.
Testemunhas relataram que a criança foi vista saindo da instituição acompanhada por um homem desconhecido. O que parecia ser um sequestro rapidamente se transformou em um dos episódios mais brutais da história brasiliense, culminando com a descoberta do corpo da criança em uma área de cerrado nas proximidades da Universidade de Brasília apenas 22 horas depois de seu desaparecimento.
A investigação do caso mobilizou a cidade e levantou suspeitas que envolviam tráfico de drogas, filhos de famílias influentes e até possíveis interferências políticas. Em recente entrevista, João Vitti e Bruno Caldas compartilharam suas experiências durante a produção do filme. Vitti, que interpreta a versão mais velha de Claudio — um personagem vivido por seu filho, Rafa Vitti, na juventude —, comentou sobre a busca por caminhos que possam trazer justiça à história.
O ator expressou sua surpresa ao conhecer mais sobre o caso durante a leitura do roteiro, destacando a necessidade de dar sentido a uma tragédia tão impactante e de evitar que esse tipo de silenciamento e apagamento persistam. Ele ressaltou que, mesmo após cinquenta anos, situações semelhantes ainda ocorrem na sociedade.

