Na última segunda-feira, dia 25, o Presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, comunicou um corte de 50% em seu próprio salário e na remuneração de seus ministros. Essa decisão surge em um contexto de intensa crise política, marcada por semanas de protestos e bloqueios de estradas que comprometem o abastecimento de alimentos, combustíveis e medicamentos em diversas regiões do país.
O anúncio foi feito durante um evento em Sucre, a capital constitucional da Bolívia. Rodrigo Paz afirmou que a redução salarial representa um "compromisso com o país" diante da pressão econômica e social que o governo enfrenta atualmente.
As manifestações, que se estendem pela quarta semana, reúnem diversos setores, incluindo sindicatos, mineiros, transportadores e grupos rurais, todos contrários às medidas de austeridade implementadas por sua administração e ao aumento do custo de vida. Além disso, parte dos manifestantes passou a exigir a renúncia do presidente.
Os bloqueios nas estradas têm gerado sérios problemas de abastecimento em cidades como La Paz e El Alto, onde hospitais, postos de combustíveis e mercados enfrentam dificuldades para receber produtos e insumos essenciais.
Rodrigo Paz assumiu a presidência em novembro de 2025, herdando uma economia fragilizada após os mandatos de Evo Morales e Luis Arce. Desde então, o governo tem defendido a necessidade de cortes nos gastos públicos e a redução dos subsídios ao combustível como estratégias para equilibrar as contas do país.
Recentemente, a pressão sobre a administração de Paz aumentou em virtude da escalada dos protestos e do agravamento da crise de abastecimento. As manifestações são organizadas, em grande parte, por aliados de Evo Morales, que também têm declarado apoio aos atos contra o governo atual.

