Operação sem Desconto: PF e CGU realizam 31 mandados contra fraudes no INSS

Nesta quarta-feira, a Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União deram início a uma nova fase da.
WhatsApp
Facebook
Twitter
Print
Foto: Polícia Federal descobriu uma fábrica clandestina de fuzis de uso restrito

A Polícia Federal (PF) e a Controladoria-Geral da União (CGU) iniciaram na manhã desta quarta-feira (27) uma nova etapa da Operação Sem Desconto, cujo objetivo é investigar um esquema nacional que envolve descontos indevidos em aposentadorias e pensões do INSS. Ao todo, 31 mandados de busca e apreensão, além de oito medidas cautelares de monitoramento eletrônico, foram autorizados pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, abrangendo o Distrito Federal e os estados de Pernambuco, São Paulo e Paraíba.

A fase atual da operação visa aprofundar as investigações sobre uma série de delitos contra a Administração Pública, incluindo constituição de organização criminosa, estelionato previdenciário e práticas de ocultação e dilapidação patrimonial. A PF destaca que a nova fase foi estruturada em núcleos regionais, cada um com focos específicos de investigação.

No núcleo de Brasília, a atenção está voltada para as entidades UNIBAP e ABENPREV, que são suspeitas de aplicar descontos em benefícios previdenciários após firmar acordos de cooperação com o INSS em 2021 e 2023. Em São Paulo, as investigações se concentram no grupo denominado “Golden Boys”, que inclui entidades como Amar Brasil Clube de Benefícios e Master Prev, entre outras.

As apurações em Garanhuns estão focadas em servidores e ex-servidores do INSS, com destaque para Rogério Soares de Souza, ex-integrante da diretoria da Superintendência Regional do Nordeste, e Everaldo Felício de Macedo Junior, ex-gerente executivo do INSS na mesma localidade. As investigações revelam que Rogério tem ligações com a ABAPEN, entidade que recebeu aproximadamente R$ 70,9 milhões em descontos ao longo de 2024.

Os levantamentos indicam que, desse total, cerca de R$ 24,7 milhões foram direcionados a empresas ligadas a Antônio Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, que atualmente se encontra preso e é considerado o principal lobista do esquema que prejudica aposentados e pensionistas.

Em São Paulo, a prioridade é evitar a dilapidação do patrimônio dos investigados, com indícios de que bens de luxo e imóveis estão sendo vendidos a preços abaixo do mercado. Entre os nomes sob investigação nesse núcleo estão Américo Monte Júnior, Felipe Macedo Gomes, Igor Dias Delecrode e Anderson Cordeiro de Vasconcelos, apontados como figuras centrais na gestão das associações investigadas. Algumas das pessoas envolvidas já estão cumprindo medidas cautelares, como o uso de tornozeleiras eletrônicas.

PUBLICIDADE

Relacionadas: