Em 2019, uma imagem de uma sala vazia, publicada por um internauta anônimo, deu início a uma das lendas mais intrigantes da internet. Embora à primeira vista a foto parecesse comum, a sensação de estranheza que ela transmitia rapidamente se tornou um fenômeno online. Essa narrativa gerou o filme "Backrooms: Um Não-Lugar", que chega aos cinemas nesta quinta-feira (27/5).
A imagem, na verdade, foi registrada durante a reforma de uma loja em Wisconsin, nos Estados Unidos, e originalmente publicada em um blog em 2003. Após dezesseis anos, a foto ressurgiu, acompanhada de uma descrição que a caracterizava como uma "imagem perturbadora". Essa nova circulação impulsionou outros internautas a compartilharem fotos de ambientes semelhantes, como corredores intermináveis e espaços vazios, que se tornaram a essência da lenda dos Backrooms.
Com o tempo, a narrativa dos Backrooms evoluiu. Uma das primeiras teorias sugeria que qualquer um poderia se perder nesse universo paralelo ao atravessar uma falha na realidade. Nesse espaço, estima-se que existam aproximadamente 960 milhões de quilômetros quadrados de salas vazias e sem fim. A partir dessa ideia inicial, usuários começaram a desenvolver diversas camadas para a lenda, criando vários níveis, cada um com suas características, regras de sobrevivência, sons e criaturas.
A popularidade da lenda levou à criação de tutoriais, relatos e teorias, que foram organizados em páginas dedicadas ao tema. A narrativa se expandiu para incluir representações em 3D, sendo um vídeo que simula uma fita perdida mostrando uma visita aos Backrooms um dos responsáveis por transformar as imagens estáticas em experiências visuais realistas. Com mais de 70 milhões de visualizações, o vídeo chamou a atenção da indústria cinematográfica.
No longa-metragem, a atriz Renate Reinsve assume o papel da psicóloga Mary Kline, cuja história se passa nos anos 1990. A trama se desenrola após ela descobrir a existência dos Backrooms durante uma sessão de terapia com o personagem Clark, interpretado por Chiwetel Ejiofor. Após a demolição da casa onde cresceu, Mary enfrenta um colapso emocional e decide buscar Clark, levando-os a uma jornada aterrorizante pelos corredores sem fim desse universo paralelo.
O filme explora o horror liminar, um subgênero que instiga o medo não por meio da presença de monstros, mas pela inquietação gerada por espaços que perderam sua função original. Essa sensação de estranheza é o que fundamenta tanto a lenda urbana quanto a adaptação cinematográfica que promete cativar o público com sua proposta única.

