A decisão do governo dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas globais gerou imediata reação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em um evento oficial, o presidente expressou seu descontentamento com a medida anunciada por Washington, enfatizando que o combate a essas facções deve ser uma responsabilidade brasileira.
A articulação que levou à classificação das facções brasileiras teve como protagonista o senador Flávio Bolsonaro, que se reuniu com o ex-presidente Donald Trump e outros membros do governo norte-americano. Na terça-feira, 26, o parlamentar propôs a inclusão das facções na lista de organizações terroristas, e no dia seguinte, continuou as tratativas com o vice-presidente J.D. Vance e Marco Rubio, secretário de Estado.
Durante sua manifestação, Lula se referiu a Rubio de forma crítica, chamando-o de “um tal de Marco Rubio”. O presidente reconheceu a gravidade das ações das organizações, mas defendeu que o Brasil deve liderar o combate a essas ameaças. “Eu tô muito triste hoje”, afirmou Lula, ressaltando que tanto o Comando Vermelho quanto o PCC são considerados terroristas dentro das comunidades que eles atacam.
Lula destacou ainda o impacto negativo que essas facções têm sobre as famílias nas periferias, reafirmando o compromisso de combater o crime organizado em território nacional. “Nós vamos combatê-los aqui dentro”, declarou o presidente, enfatizando a necessidade de uma abordagem local.
O presidente também fez uma distinção entre as facções brasileiras e as ameaças internacionais que o governo Trump costuma monitorar. Ele argumentou que os criminosos que atuam no Brasil não se encaixam no perfil de terroristas que o governo americano tipicamente enfrenta, mencionando o caso de Osama Bin Laden, que foi morto por forças dos EUA em maio de 2011.
A nova classificação foi formalizada pelo Departamento de Estado dos EUA, que detalhou o alcance internacional das atividades do PCC e do Comando Vermelho. O comunicado da Casa Branca ressaltou que essas organizações têm milhares de integrantes e são responsáveis por atos violentos na região. Além disso, a influência dessas facções se estende para além das fronteiras brasileiras, afetando também o território dos Estados Unidos.

