O alto comissário da Organização das Nações Unidas (ONU) para os Direitos Humanos, Volker Türk, solicitou que os Estados Unidos reconsiderem de forma significativa sua política migratória durante a Copa do Mundo de futebol. Essa declaração surge em um contexto de crescente tensão, onde representantes oficiais da competição enfrentam dificuldades para entrar no país.
Türk expressou a esperança de que as autoridades americanas revisitem suas ações de controle de imigração, enfatizando a importância de respeitar os Direitos Humanos e a dignidade das pessoas. "Espero sinceramente que repensem profundamente sobre a forma como as medidas de controle da imigração afetam os Direitos Humanos e a dignidade humana e que, especialmente às vésperas da Copa do Mundo, sejam revistas políticas que, infelizmente, temos visto prevalecer, sobretudo nos Estados Unidos", afirmou durante coletiva de imprensa.
Recentemente, o árbitro somali Omar Abdulkadir Artan foi afastado da Copa do Mundo de 2026 após ter sua entrada nos Estados Unidos negada, mesmo possuindo um visto válido. Artan, que atua na liga somali e foi reconhecido como o melhor árbitro do ano pela Confederação Africana de Futebol em 2025, seria o primeiro árbitro da Somália a participar de um torneio mundial da FIFA.
A negativa de entrada não foi detalhada pelas autoridades de fronteira, que apenas mencionaram questões relacionadas aos antecedentes de Artan. A agência vinculada ao Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos informou que, após a inspeção, o árbitro foi considerado inadmissível devido a essas questões de verificação.
A FIFA se manifestou, ressaltando que não possui capacidade para influenciar decisões de imigração, as quais são de competência exclusiva dos Estados Unidos, um dos países-sede do Mundial, ao lado do México e do Canadá. Em declaração, um porta-voz da FIFA afirmou que as autoridades informaram que a situação de Artan não mudará por enquanto.
A Somália é um dos vários países cujos cidadãos enfrentam restrições de viagem impostas pelo governo do presidente Donald Trump. Além do árbitro, a Seleção do Senegal e a delegação do Uzbequistão também relataram experiências semelhantes ao chegarem aos Estados Unidos, passando por rigorosos procedimentos de revista e segurança, o que levantou preocupações sobre o tratamento de imigrantes e visitantes.
