O Tribunal do Júri da Comarca de Guarulhos dá início, nesta segunda-feira (22), ao julgamento de três pessoas acusadas de serem responsáveis pela morte do empresário Antônio Vinícius Gritzbach, considerado um delator de membros do Primeiro Comando da Capital (PCC). O processo ocorrerá no Fórum Criminal de Guarulhos, localizado na Grande São Paulo, e a previsão é que a duração seja de cinco dias.
O juiz Rodrigo Tellini de Aguirre Camargo presidirá a sessão, que irá avaliar as responsabilidades de Denis Antonio Martins, Ruan Silva Rodrigues e Fernando Genauro da Silva em relação ao homicídio qualificado e à tentativa de homicídio. Todos os réus se encontram detidos.
Antônio Vinícius Gritzbach foi assassinado em 8 de novembro de 2024, em uma ação que aconteceu durante o dia no Aeroporto Internacional de Guarulhos, o mais movimentado do Brasil. Durante o ataque, o motorista de aplicativo Celso Araújo Sampaio de Novais, de 41 anos, também foi baleado e faleceu. Outras duas pessoas ficaram feridas.
Esse caso ganhou destaque em nível nacional devido à audácia da execução e às ligações da vítima com investigações sobre o crime organizado. Gritzbach, que atuava no setor imobiliário, estava sob investigação por suspeitas de lavagem de dinheiro para facções criminosas, incluindo o PCC e o Comando Vermelho, ao mesmo tempo em que colaborava com as autoridades fornecendo informações sobre esses grupos, o que, segundo as investigações, motivou seu assassinato.
O Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) foi responsável pelas investigações, que resultaram na conclusão do inquérito em apenas quatro meses. Este trabalho, considerado um dos mais complexos dos últimos anos, gerou cerca de 500 páginas de documentação e levou ao indiciamento de oito pessoas, sendo seis por envolvimento direto no homicídio e duas por auxiliarem na fuga dos autores.
Além disso, as investigações apontaram a participação de 18 policiais militares no caso, que agora são réus. Três deles, identificados como os executores dos tiros, foram pronunciados e estão sendo julgados pelo Tribunal do Júri, permanecendo encarcerados no Presídio Militar Romão Gomes, em São Paulo.

