A Força Aérea Brasileira (FAB) desembarcou na Venezuela com uma missão humanitária para dar suporte às operações de busca e resgate após os terremotos que atingiram o país recentemente. A aeronave KC-390 Millennium pousou na Base Aérea El Libertador, localizada em Maracay, transportando médicos, especialistas em salvamento, cães farejadores e equipamentos para localização de vítimas.
A mobilização foi organizada pelo governo brasileiro, através da Agência Brasileira de Cooperação (ABC), que está vinculada ao Ministério das Relações Exteriores. A equipe é composta por integrantes da Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil, além de bombeiros militares de Minas Gerais, São Paulo e Paraná, e técnicos da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).
O Brasil se junta a uma ampla operação internacional de assistência, com o envio de profissionais, equipamentos e suprimentos por diversos países e órgãos, todos voltados para reforçar os esforços nas áreas mais afetadas. Os terremotos, que ocorreram na noite da última quarta-feira, 24, registraram magnitudes de 7,2 e 7,5, com menos de um minuto de intervalo entre os tremores.
Até o momento, as autoridades da Venezuela contabilizaram 920 mortes e 3.360 feridos. A prioridade das equipes de resgate é a busca por sobreviventes que possam estar sob os escombros. Especialistas indicam que pessoas soterradas podem permanecer vivas por vários dias, especialmente se encontrarem bolsas de ar entre os destroços. Karoline Magalhães, porta-voz do Corpo de Bombeiros de São Paulo, destacou que "quando cai um prédio, formam-se bolsões de ar, permitindo que as pessoas permaneçam nesses espaços por até dez dias".
A missão do Brasil está prevista para durar 15 dias, com a possibilidade de prorrogação por mais duas semanas, dependendo das condições encontradas em campo. O ministro da Defesa, José Múcio, planeja visitar a Venezuela para acompanhar os trabalhos e coordenar ações adicionais de assistência. Além disso, está nos planos do governo brasileiro o envio de uma segunda aeronave com médicos e um hospital de campanha, visando ampliar a capacidade de atendimento às vítimas.
Enquanto as operações de resgate estão em andamento, moradores de Roraima iniciaram uma campanha de arrecadação de alimentos, roupas e itens de primeira necessidade. Brasileiros e venezuelanos residentes no estado estão organizando pontos de coleta para apoiar as comunidades impactadas pela tragédia.

