As contas do governo central apresentaram um déficit primário de R$ 53,3 bilhões em maio de 2026, conforme informações divulgadas pelo Tesouro Nacional. Este resultado representa uma deterioração em comparação ao mesmo mês do ano anterior, quando o saldo negativo foi de R$ 42,2 bilhões, considerando valores corrigidos pela inflação.
O desempenho das contas em maio é o pior desde 2024, ano em que o déficit primário alcançou R$ 66,6 bilhões. O déficit primário ocorre quando as despesas do governo superam as receitas provenientes de impostos e tributos, desconsiderando os juros da dívida pública. Em contrapartida, um superávit primário é registrado quando as receitas superam as despesas.
De acordo com o Tesouro, o aumento das despesas foi o principal fator para a piora do resultado. Em maio, os gastos totais cresceram em termos reais 9,4%, totalizando R$ 251 bilhões. As despesas obrigatórias, como os benefícios previdenciários, foram responsáveis por um acréscimo de R$ 4,9 bilhões. Além disso, as despesas livres aumentaram em R$ 16,7 bilhões, enquanto outras despesas obrigatórias cresceram R$ 2 bilhões.
As receitas também apresentaram crescimento, mas em um ritmo inferior ao das despesas. A arrecadação alcançou R$ 198 bilhões, com uma alta real de 5,5% no mês. No acumulado de janeiro a maio, o déficit primário foi de R$ 44,4 bilhões, enquanto no mesmo período do ano anterior havia um superávit de R$ 32,9 bilhões.
A piora no resultado acumulado está relacionada à antecipação do pagamento de precatórios em março, o que aumentou as despesas totais no período. Em 2026, a receita líquida após transferências a estados e municípios somou R$ 1,06 trilhão, com crescimento real de 4,8%. Já as despesas totais no mesmo intervalo chegaram a R$ 1,1 trilhão, com um aumento real de 13%.
A meta fiscal para o ano estabelece um superávit primário de 0,25% do PIB, o que equivale a R$ 34,3 bilhões. O arcabouço fiscal permite uma variação de 0,25 ponto percentual, admitindo um resultado neutro ou um superávit de até R$ 68,6 bilhões. Além disso, o governo pode excluir até R$ 63,5 bilhões em despesas do cálculo da meta, incluindo precatórios.

