As cerimônias fúnebres do ex-líder supremo do Irã, Aiatolá Ali Khamenei, aconteceram neste domingo, 5, em Teerã, e contaram com a presença de centenas de milhares de pessoas na Grande Mesquita de Mosalla. O ato foi marcado por declarações explícitas de ódio e ameaças de morte ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e ao primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu. Cartazes e pichações no local clamavam pelo assassinato das duas figuras políticas.
O clima de revanche foi evidente quando o mestre de cerimônias, Mohammad Rasouli, utilizou os alto-falantes para incitar a multidão. O porta-voz do regime iraniano questionou por que Trump ainda estava vivo e exigiu sua execução, em resposta a conflitos anteriores. A multidão reagiu com gritos tradicionais de morte à América e morte a Israel, reforçando a hostilidade vigente.
A ausência do novo líder supremo do Irã, Aiatolá Mojtaba Khamenei, durante o sepultamento chamou a atenção. Ele permanece em local desconhecido, pois sofreu ferimentos graves nas pernas e desfiguração facial em um ataque aéreo que também resultou na morte de seu pai, ocorrido em 28 de fevereiro. Israel mantém Mojtaba na lista de alvos prioritários para eliminação.
A falta do novo líder ocorre em um momento delicado, em que negociações secretas com a Casa Branca buscam encerrar a guerra e permitir a passagem de navios petroleiros no Estreito de Ormuz. Três irmãos de Mojtaba, Masoud, Meysam e Mostafa, estiveram presentes na cerimônia, que foi conduzida pelo clérigo Jafar Sobhani, de 97 anos. O presidente Masoud Pezeshkian e o comandante da Força Quds, Esmail Qaani, também participaram do evento.
A aparição em grupo das autoridades iranianas visa transmitir uma sensação de segurança institucional, após meses de isolamento. O regime teme novos bombardeios cirúrgicos de Israel, que já utilizou eventos públicos para localizar e atacar generais da Guarda Revolucionária. O chefe da Guarda, Ahmad Vahidi, participou das orações cercado por agentes disfarçados.
Enquanto isso, em Washington, Donald Trump fez um discurso durante as comemorações dos 250 anos de independência dos Estados Unidos, exatamente no mesmo momento do funeral em Teerã. Trump desconsiderou as ameaças do regime iraniano e elogiou a destreza das Forças Armadas no exterior, afirmando que o exército dos EUA teve sucesso total em desmantelar as defesas militares do Irã e da Venezuela.

