O presidente Donald Trump deve centrar suas conversas com os líderes da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) em questões relacionadas ao Irã durante a cúpula extraordinária que ocorrerá em Ancara, Turquia, a partir de terça-feira, 7. Embora a agenda oficial priorize a guerra da Ucrânia e a contenção da Rússia, o governo dos Estados Unidos pretende enfatizar a lealdade dos parceiros europeus em missões fora do continente.
O embaixador dos Estados Unidos na Otan, Matthew Whitaker, confirmou que a Casa Branca usará a reunião para avaliar o nível de apoio dos países europeus à Operação Epic Fury no Oriente Médio. Whitaker expressou o desapontamento de Trump com aliados que impediram o uso de bases militares ou vetaram o tráfego aéreo de aeronaves norte-americanas, com foco especial nas críticas ao primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez.
A resistência de alguns governos europeus em permitir o uso do espaço aéreo para operações norte-americanas causou divisões significativas entre os países do bloco. A Espanha foi a primeira a liderar um boicote, barrando missões em seu território, enquanto a Itália restringiu o apoio em suas pistas apenas a voos de transporte de carga. O Reino Unido também limitou o uso de suas instalações, autorizando os ataques dos Estados Unidos apenas após o aumento das ameaças do regime iraniano.
Os países europeus justificaram suas restrições com base em considerações jurídicas internas e preocupações sobre possíveis retaliações do Irã no Estreito de Ormuz. Em resposta a essa situação, os Estados Unidos planejam implementar um sistema de punições e recompensas, onde nações que colaborarem na guerra receberão benefícios na compra de armamentos avançados e facilidades comerciais, enquanto aquelas que não cooperarem perderão privilégios.
Em suas declarações, Trump também expressou preocupações sobre os custos financeiros de manter tropas dos Estados Unidos em defesa de países que não atendem às metas de investimento do grupo. O presidente propôs um novo teto de gastos em defesa de 5% do Produto Interno Bruto (PIB) de cada nação associada, alertando que aquelas que não cumprirem essa exigência ficarão sem apoio militar.
Trump indicou que sua presença na conferência internacional foi facilitada pela boa relação que mantém com o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan. O presidente dos Estados Unidos mostrou preferência por acordos de segurança bilaterais em vez de depender da estrutura burocrática da Otan. O teste de lealdade que será imposto pela Casa Branca poderá influenciar as decisões econômicas do bloco nos próximos anos.

