Em meio ao escândalo envolvendo a descoberta de uma plantação de maconha em Acopiara, no Ceará, o ex-governador Ciro Gomes expressou suas preocupações em relação à atuação da Secretaria da Segurança Pública. Em uma entrevista concedida à Rádio Processo, Ciro criticou a forma como a operação da Polícia Civil foi conduzida e levantou questionamentos sobre a competência do atual secretário.
Ciro Gomes afirmou que o secretário de Segurança do Estado está sob suspeita, citando seu histórico profissional. Ele lembrou que o secretário exerceu funções no Rio de Janeiro durante uma intervenção federal, o que, Segundo Ciro, levanta dúvidas sobre a eficácia da gestão na segurança pública. "Se houve uma intervenção federal no Rio de Janeiro, é porque a Secretaria de Estado da Segurança do Rio de Janeiro estava fazendo alguma coisa errada", destacou.
Além disso, Ciro mencionou a passagem do secretário pelo Espírito Santo, onde, conforme alegações, o Comando Vermelho teria ganhado força. "Me dizem que nessa constância do Espírito Santo deu-se um fenômeno que está acontecendo agora", afirmou, insinuando que a situação atual poderia ser uma retaliação entre facções criminosas.
O ex-governador enfatizou a necessidade de esclarecer a cadeia de comando da operação policial em Acopiara, questionando se o delegado-geral comunicou ao secretário sobre o evento. "Se não comunicou, é ele o responsável", ressaltou Ciro, que ainda se mostrou preocupado com a saída das equipes antes da conclusão dos trabalhos, o que poderia comprometer a coleta de provas relevantes.
Ciro criticou a condução da operação, apontando que evidências significativas, como sacos de maconha e documentos, foram deixadas para trás. Ele classificou a situação como "incompetência pura" e uma "suspeita imensa de falcatrua", sublinhando que a operação não resultou em prisões, apesar da dimensão da plantação encontrada.
Durante a entrevista, Ciro também comentou sobre a resposta do governo estadual após a divulgação de um vídeo envolvendo o deputado André Fernandes. Ele argumentou que a atenção deveria estar voltada às circunstâncias da operação e não à posição política do deputado. "Não interessa se o André Fernandes é bolsonarista ou não é bolsonarista", enfatizou, apontando a gravidade da situação em que o governo abandonou a plantação sem tomar as devidas providências.

