A movimentação de embarcações pelo Estreito de Ormuz sofreu uma queda acentuada desde o aumento das hostilidades entre Estados Unidos e Irã. Informações de empresas que monitoram o tráfego marítimo revelam que a quantidade de navios que transitam por essa rota, vital para a exportação de petróleo, diminuiu significativamente.
Na quarta-feira, dia 8, apenas 14 embarcações carregadas com commodities conseguiram atravessar o estreito, número inferior à média diária de 34 navios observada desde o cessar-fogo estabelecido em junho. O Irã, por sua vez, acelerou a exportação de petróleo, com cinco superpetroleiros e um navio Suezmax saindo de portos iranianos nas últimas 24 horas, totalizando quase 11 milhões de barris da commodity.
Na manhã desta quinta-feira, 9, o cenário se tornou ainda mais crítico, com apenas dois petroleiros conseguindo cruzar o estreito. Entre eles estava o Berg 1, que transporta produtos oriundos da Ilha de Kharg e enfrenta as sanções impostas pelos Estados Unidos. Para aumentar a segurança, algumas embarcações passaram a adotar o chamado "modo sombra", desligando seus sistemas de rastreamento durante a travessia.
Os dados revelam que em junho foram registradas 576 travessias, número que supera as 233 de maio, mas ainda é muito inferior aos 3.131 registros do mesmo mês do ano anterior. No dia 24 de junho, o estreito chegou a registrar um pico de 58 navios em apenas 24 horas, evidenciando a atual drástica mudança no tráfego.
O Centro de Operações de Comércio Marítimo do Reino Unido (UKMTO) confirmou que o tráfego na região permanece reduzido, com operadores agindo com cautela devido aos riscos presentes. O órgão também alertou sobre a existência de minas marítimas ativas nas proximidades do Estreito de Ormuz, classificando a ameaça na área como "severa". Apesar disso, outras rotas no Oriente Médio, como o golfo Pérsico, o golfo de Omã e o mar Arábico, seguem com navegação considerada estável, embora sob vigilância.
A diminuição no número de embarcações impactou também o setor de seguros marítimos. Corretoras especializadas notaram uma queda na demanda por novas cotações desde o agravamento das tensões entre Estados Unidos e Irã nesta semana.

