Na manhã desta quarta-feira, 15 de julho de 2026, o Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos (CIRA/SP) deu início à Operação Distrato, que visa desmantelar um esquema fraudulento de venda de créditos fictícios de ICMS. O esquema, supostamente operado por empresas associadas ao advogado Nelson Wilians, resultou em um prejuízo estimado em R$ 3,8 bilhões aos cofres públicos.
A operação abrange 38 mandados de busca e apreensão, autorizados pela 1ª Vara de Crimes Tributários, Organização Criminosa e Lavagem de Bens e Valores da Capital, e ocorre em várias cidades, incluindo São Paulo, Campinas, Jundiaí, Ribeirão Preto, Londrina e Cambé, no Paraná.
Investigações revelaram que escritórios de advocacia e consultorias ligadas a Wilians ofereciam créditos de ICMS a preços abaixo do mercado, apresentando essas transações como parte de planejamentos tributários supostamente aprovados pela Secretaria da Fazenda. As empresas que aderiam a esse esquema deixavam de pagar o imposto integralmente e, em contrapartida, pagavam honorários de êxito que podiam chegar a 70% do valor dos créditos utilizados.
Outro foco das investigações é a advogada Mayra de Paula, identificada como sócia de Wilians nas atividades fraudulentas. A Operação Distrato busca não apenas reunir provas substanciais, mas também identificar os beneficiários econômicos envolvidos na fraude.
Os crimes investigados incluem Organização Criminosa, lavagem de dinheiro, estelionato, falsidade documental e infrações contra a ordem tributária. O CIRA/SP, que conta com a participação da Secretaria da Fazenda e Planejamento do Estado de São Paulo, do Ministério Público de São Paulo (MPSP) e da Procuradoria-Geral do Estado, recebeu o suporte das polícias Civil e Militar para a execução da operação.

