A Rumble e a Trump Media informaram à Justiça da Flórida, em 14 de julho de 2026, que a Advocacia-Geral da União (AGU) alterou sua postura ao defender o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, em um processo em andamento nos Estados Unidos. As empresas alegam que o governo brasileiro havia anteriormente comunicado que as decisões da Justiça brasileira não têm efeitos automáticos nos EUA, necessitando seguir os canais de cooperação internacional.
No entanto, segundo a Rumble e a Trump Media, a AGU passou a adotar um entendimento diferente ao solicitar a extinção da ação, argumentando que as decisões de Moraes são atos soberanos do Estado brasileiro. As companhias enfatizam que “juízes estrangeiros não podem fazer cumprir ordens estrangeiras em solo americano por e-mail e chamar isso de lei”.
As empresas ressaltam que a ação não questiona a validade das determinações de Moraes no Brasil, mas sim se essas ordens podem ter efeito nos Estados Unidos sem a devida autorização das autoridades americanas ou sem a utilização de mecanismos diplomáticos adequados. A defesa das empresas se articula em três pontos principais.
Primeiramente, afirmam que Moraes é o alvo direto da ação, uma vez que o processo foi movido contra o ministro pessoalmente, por atos que teriam extrapolado os limites de sua função. Em segundo lugar, argumentam que as ordens emitidas por Moraes não são atos soberanos do Brasil, uma vez que ele teria enviado determinações via e-mail para bloquear contas, remover conteúdos e obter dados de usuários sem recorrer aos canais internacionais apropriados.
Por fim, a defesa destaca que a questão central do processo é a validade das decisões de Moraes em território americano. A Rumble e a Trump Media afirmam que uma eventual decisão da Justiça da Flórida não invalidaria as ordens no Brasil, mas sim definiriam se essas ordens podem ser reconhecidas e aplicadas nos EUA.
O documento foi protocolado dentro do prazo estabelecido pela juíza Mary Scriven, que em 7 de julho havia concedido mais uma semana para a apresentação de argumentos. As empresas argumentam que a imposição de ordens que visem atingir a Flórida, sem permissão do governo dos EUA, é inaceitável, ressaltando que juízes estrangeiros não têm a autoridade para impor tais ordens em solo americano.

