PCC é visto como modelo por organizações criminosas internacionais, afirma especialista italiano

Giovanni Tartaglia, do Ministério das Relações Exteriores da Itália, destaca que o PCC se tornou um paradigma.
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Organizações criminosas de diferentes nações têm o Primeiro Comando da Capital (PCC) como exemplo em suas operações. Essa análise foi proferida por Giovanni Tartaglia, assessor do Ministério das Relações Exteriores da Itália, e por Francisco Rezek, ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF).

Tartaglia afirmou que o PCC evoluiu de uma facção atuante apenas em penitenciárias para uma organização que opera no tráfico internacional de cocaína. "A facção passou de um grupo violento a uma rede, de rede a sistema, e de sistema hoje ambiciona ser um poder econômico e social", declarou o especialista. Ele salientou a capacidade do grupo em controlar territórios, infiltrar-se na economia e na administração pública, além de sua projeção no cenário internacional.

Um levantamento realizado pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo, revela que o PCC conta com aproximadamente 40 mil integrantes espalhados por 28 países, abrangendo quatro continentes. Tartaglia enfatizou a necessidade de cooperação entre instituições públicas e a sociedade civil para conter o avanço da facção.

"A antimáfia autêntica é respeitosa dos princípios do Estado de Direito", destacou Tartaglia. Para ele, essa abordagem não apenas defende as garantias legais, mas também evita que elas sejam manipuladas. O especialista afirmou que a máfia contemporânea não se limita à violência, podendo ser também sutil e silenciosa, mas igualmente perigosa.

Francisco Rezek, que já atuou no Ministério das Relações Exteriores e na Corte Internacional de Justiça, ressaltou a importância da colaboração internacional no combate ao narcotráfico, à lavagem de dinheiro e à corrupção, além da infiltração do Crime Organizado na economia. O promotor Lincoln Gakiya, do Gaeco, reforçou a relevância de combater a corrupção entre agentes públicos, afirmando que não há Crime Organizado sem a conivência do Estado.

O PCC teve sua origem no sistema penitenciário de São Paulo em 1993. O procurador-geral de Justiça de São Paulo, Paulo Sérgio de Oliveira e Costa, afirmou que o país já implementa medidas para enfrentar as facções criminosas. "Estou certo de que saberemos trilhar um caminho que nos tornará mais organizados que o próprio Crime Organizado", declarou.

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