Nesta quarta-feira, 29, o Ministério Público de Santa Cruz, na Bolívia, determinou a prisão do ex-presidente Evo Morales. A ordem de captura está relacionada a uma investigação sobre os 53 dias de bloqueios que ocorreram no país entre maio e junho. O promotor Brayan Melgar, responsável pela assinatura do mandado, instruiu a polícia a "apreender e conduzir" Morales à unidade policial especializada.
O ex-presidente é investigado por diversos crimes, incluindo levante armado contra a segurança e a soberania do Estado, terrorismo, atentado contra a segurança dos meios de transporte, associação criminosa, instigação pública ao crime e atentado contra a segurança dos serviços públicos. A investigação visa apurar as responsabilidades pela organização e convocação dos bloqueios, que impactaram significativamente o transporte, o abastecimento e a economia da Bolívia.
No mandado, Melgar enfatiza que a presença de Morales é fundamental, considerando-o "presunto autor dos fatos delitivos denunciados" e, por isso, ordena o cumprimento da captura. Esta é a segunda ordem de prisão enfrentada por Evo Morales; a primeira se refere a um processo por tráfico de pessoas, que ainda está em vigor.
Evo Morales, por sua vez, manifestou-se contra a nova ordem de captura, descrevendo-a como uma forma de perseguição política. Em suas redes sociais, o ex-presidente argumentou que o governo busca atribuí-lo a responsabilidade pelas mobilizações para desviar a atenção da crise que o país enfrenta. "Continuaremos lutando junto ao povo, como sempre fizemos, com a convicção de que a Bolívia merece um caminho diferente", declarou.
Ele também falou sobre a necessidade de buscar a dignidade, a soberania, a justiça social e a recuperação da esperança para todos os bolivianos. A situação continua a gerar debates acalorados na Bolívia, refletindo a polarização política existente no país.

