A tensão entre a Uefa e a Fifa se intensificou na quinta-feira, 30, quando a entidade europeia revelou que suas 55 federações nacionais estão dispostas a retirar suas seleções de todas as competições organizadas pela Fifa. Essa decisão é uma resposta ao projeto de criação da Fifa Forward Enterprise (FFE), que visa concentrar ativos comerciais da Fifa e permitir a entrada de investidores privados na governança do futebol mundial.
Após uma reunião de emergência por videoconferência, a Uefa divulgou um comunicado afirmando que nenhuma seleção nacional da Europa participará de competições da Fifa enquanto a proposta estiver em vigor. A Uefa exige o abandono total do projeto e garantias formais de que a Fifa não permitirá a propriedade privada de sua governança e torneios.
A ameaça de boicote pode impactar a Copa do Mundo feminina de 2027, que será realizada no Brasil. As eliminatórias europeias para o torneio estão agendadas para os dias 9 e 13 de outubro, mas a realização desses jogos está agora em dúvida devido à crescente tensão entre as duas entidades.
O projeto da Fifa para a FFE inclui uma companhia avaliada em US$ 20 bilhões, que reuniria os principais ativos comerciais, como os direitos da Copa do Mundo, da Copa do Mundo feminina e do Mundial de Clubes. A proposta prevê a venda de cerca de 20% da nova empresa a investidores privados, o que gerou preocupações entre as federações.
A Uefa enfatizou que os interesses de federações, ligas, clubes, jogadores e torcedores não podem ser subordinados ao retorno dos investidores. A posição da Uefa obteve apoio da Concacaf, confederação responsável pelo futebol da América do Norte, Central e Caribe, e da Confederação Asiática de Futebol (AFC), que juntas representam 143 das 211 associações filiadas à Fifa.
Além disso, o projeto envolveu aspectos políticos, com a participação da Thrive, empresa fundada por Joshua Kushner, que está associada à distribuição das ações da nova estrutura. Essa situação representa uma das maiores crises institucionais do futebol global desde a ascensão de Gianni Infantino à presidência da Fifa em 2016.

