Na última sexta-feira, 31, a Itália anunciou a suspensão temporária da aplicação do Acordo de Schengen em relação à Espanha. Esta decisão implica no restabelecimento de controles nas fronteiras aéreas e marítimas entre os dois países, uma ação que surge em resposta à crise migratória que afetou o enclave de Ceuta, localizado no norte da África.
O governo liderado pela primeira-ministra Giorgia Meloni determinou o fechamento das fronteiras para voos e embarcações que chegam da Espanha. O Ministério do Interior italiano esclareceu que essa medida foi adotada após a análise de relatórios de Inteligência que indicaram riscos à segurança e à supervisão das fronteiras externas da União Europeia.
A suspensão é considerada uma exceção temporária nas normas do espaço Schengen, que permite aos países membros restabelecer controles internos em circunstâncias extraordinárias, como a ocorrência de grandes fluxos migratórios ou ameaças à ordem pública.
Essa decisão ocorre um dia após a chegada de dezenas de milhares de imigrantes a Ceuta, a maioria deles atravessando a fronteira proveniente do Marrocos, tanto por terra quanto pelo mar. A situação sobrecarregou a capacidade de resposta das autoridades espanholas, levando o governo de Pedro Sánchez a mobilizar forças militares para reforçar a segurança na cidade autônoma.
As autoridades espanholas afirmaram que redes de tráfico de pessoas se aproveitaram de uma interpretação errônea de uma decisão judicial para incentivar as travessias ilegais. Além disso, Madri intensificou a colaboração com o Marrocos para repatriar imigrantes que entraram de forma irregular em seu território.
A crise migratória provocou tensões diplomáticas entre Roma e Madri. Enquanto autoridades italianas defendem a implementação de medidas mais rigorosas para proteger as fronteiras externas da União Europeia, o governo espanhol criticou as declarações de membros do governo Meloni, afirmando que a situação está sob controle.

