Neste domingo (2), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva lançou oficialmente sua candidatura à reeleição durante a Convenção Nacional do Partido dos Trabalhadores (PT), realizada em São Paulo. Em seu discurso, que durou cerca de uma hora, o petista declarou que pretende fazer de seu quarto mandato uma oportunidade para implementar mudanças significativas na relação entre os Poderes e no sistema político do Brasil. Lula enfatizou: "Não quero ser lembrado apenas pelo Bolsa Família".
O presidente criticou o modelo de financiamento dos partidos e o alto volume de recursos destinados às emendas parlamentares. Ele ressaltou a necessidade de rever a dinâmica entre o Executivo e o Legislativo, apontando que a atual situação leva a um aumento dos recursos públicos destinados às legendas. "Esse negócio de fundo partidário não me agrada. Isso está levando os partidos políticos à promiscuidade", afirmou, deixando claro que sua intenção é provocar mudanças profundas no cenário político.
Lula mencionou que alguns partidos chegam a receber em torno de R$ 1 bilhão anualmente em recursos públicos e prometeu uma postura mais assertiva caso seja reeleito: "Não vou ser o 'Lulinha paz e amor'. Vou ser o 'Lulinha porreta'". O presidente TAMBÉM reconheceu que seu governo enfrenta desafios para atender a todas as demandas da população, mas reafirmou seu compromisso em promover um debate democrático sobre a relação entre os Poderes.
Além disso, Lula fez uma declaração sobre a liberdade das mulheres em relação à maternidade, afirmando que "a mulher tem que ter filho quando quiser". Sua candidatura contará com o apoio da Federação Brasil da Esperança, que reúne PT, PSB, PDT, PCdoB, PV, PSOL e Rede.
Durante a convenção, o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) TAMBÉM se manifestou, criticando adversários que tentam desacreditar o sistema eleitoral brasileiro. Sem citar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) nominalmente, Alckmin lembrou das investigações sobre a tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022, afirmando que aqueles eleitos pelo voto popular não deveriam ter sido alvo de ataques.
Ao finalizar seu discurso, Alckmin ironizou a situação política na Argentina e nos Estados Unidos, mencionando os apoios de Javier Milei e Donald Trump à candidatura de Fávio Bolsonaro (PL) ao Palácio do Planalto. Essa troca de farpas evidencia o clima tenso que marca o atual cenário político nacional, onde as eleições de 2026 prometem ser um divisor de águas para o Brasil.