O Itamaraty anunciou nesta terça-feira (4) a redução do nível das relações diplomáticas entre Brasil e Argentina, rebaixando-as para o patamar de encarregados de negócios, inferior ao de embaixador. A decisão foi comunicada ao embaixador argentino em Brasília, Guillermo Daniel Raimondi, que recebeu uma nota de protesto do governo brasileiro e poderá retornar a Buenos Aires.
O embaixador brasileiro na Argentina, Julio Glinternick Bitelli, não voltará ao seu posto enquanto as críticas do presidente argentino, Javier Milei, ao governo brasileiro persistirem. A condução das tratativas bilaterais será, a partir de agora, feita por diplomatas de escalão inferior nas duas embaixadas.
Essa decisão é uma resposta às sucessivas ofensas proferidas por Milei, tanto a Lula quanto ao ministro do STF, Alexandre de Moraes. O ponto culminante da crise ocorreu durante o discurso do presidente argentino na convenção nacional do PL, em São Paulo, no dia 26 de julho, quando ele descreveu o Brasil como um alvo de uma “merda socialista”.
Após ser convocado para prestar esclarecimentos sobre suas declarações, Milei optou por intensificar os ataques. Em entrevista ao programa La Cornisa, da emissora argentina LN+, no último domingo (2), ele voltou a se referir a Lula como “ladrão” e “corrupto”, além de chamá-lo de “presidiário”, em alusão às condenações da Lava Jato, que foram posteriormente anuladas pelo STF. O argentino argumentou que é menos grave rotular um ladrão como ladrão do que o ato de roubar em si.
Antes do rebaixamento, o chanceler argentino, Pablo Quirno, tentava minimizar a crise, afirmando que não havia chances de romper relações e que a situação não seria levada ao nível institucional. Essa declaração foi feita em uma rádio argentina na quarta-feira anterior (29), logo após o vice-presidente Geraldo Alckmin ter classificado as falas de Milei como lamentáveis.
Fontes diplomáticas brasileiras indicaram que as recentes declarações de Milei demonstraram uma falta de vontade em restabelecer uma relação saudável com o governo brasileiro, levando à decisão de formalizar o rebaixamento das relações. Esta medida representa um marco inédito em mais de vinte anos de relações bilaterais entre Brasil e Argentina.

