A disputa pela liderança em Inteligência Artificial (IA) entre Estados Unidos e China ultrapassou os limites das pesquisas em laboratórios de tecnologia. Washington e Pequim estão estabelecendo redes internacionais para fortalecer seus respectivos ecossistemas, envolvendo não apenas semicondutores, mas também minerais críticos, centros de dados e modelos de IA, além das normas que regulamentarão o uso dessa tecnologia.
A iniciativa Pax Silica, liderada pelos EUA, busca integrar países considerados aliados na cadeia tecnológica. Em contraposição, a China lançou a Organização Mundial para Cooperação em Inteligência Artificial (Waico), que foi formalmente criada em julho e tem sede em Xangai.
Embora os formatos e os objetivos dessas duas iniciativas sejam distintos, há um ponto em comum: a crescente importância da capacidade de desenvolver IA na política externa das duas potências. A Pax Silica abrange a aquisição de minerais críticos, a fabricação de semicondutores e a infraestrutura necessária para a computação e sistemas avançados de Inteligência Artificial. A Índia, por exemplo, aderiu à Pax Silica em fevereiro, com o objetivo de reforçar a cooperação tecnológica e proteger a cadeia que sustentará a economia baseada em IA.
Por outro lado, a abordagem da China foi diferente. No dia 16 de julho, representantes de 29 países se reuniram em Xangai para assinar o acordo que estabeleceu a Waico como uma organização intergovernamental independente. Entre os signatários estão a China, Rússia, Indonésia, Paquistão, Laos e Cazaquistão.
A nova organização pretende atuar tanto no desenvolvimento quanto na governança da Inteligência Artificial. Seus objetivos incluem a promoção da cooperação tecnológica, capacitação, discussão de padrões e a aproximação das políticas nacionais para o setor. Além disso, o governo chinês anunciou que, nos próximos cinco anos, oferecerá 5 mil oportunidades de treinamento em sistemas avançados de IA e na infraestrutura necessária para sua implementação.
A estratégia da China combina sua robusta capacidade industrial com a distribuição de tecnologia a um número crescente de países, buscando influenciar a definição das regras internacionais. A Waico será responsável por coordenar estratégias, governança e padrões técnicos, sempre dentro de uma estrutura multilateral associada ao sistema das Nações Unidas. Por sua vez, Washington procura manter a liderança nas partes mais estratégicas da cadeia tecnológica e estabelecer relações duradouras com seus parceiros.