O 59º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, que ocorreria em setembro de 2026, não será realizado. A confirmação do cancelamento foi feita pela Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Distrito Federal. Na última segunda-feira (10/8), o secretário Fernando Modesto se reuniu com representantes de organizações da sociedade civil que apoiam o festival e o Cine Brasília, onde a premiação é tradicionalmente sediada. Durante a reunião, os participantes foram informados sobre a insuficiência de recursos financeiros para a realização do evento, levando à decisão de cancelá-lo.
As inscrições para as mostras do festival foram abertas entre os meses de março e maio deste ano. No entanto, a situação financeira do evento já havia sido sinalizada como preocupante. Na última sexta-feira (7/8), a Associação das Produtoras Independentes do Audiovisual Brasileiro (API) enviou um ofício à governadora do DF, Celina Leão, alertando sobre a necessidade de regularização dos pagamentos do Fundo de Apoio à Cultura (FAC) e a liberação de recursos para o festival.
O ofício da API destacava um "risco concreto" de cancelamento da premiação, além da paralisação dos pagamentos do FAC. A associação também mencionou a situação precária do Cine Brasília, que poderia acarretar perdas de cerca de R$ 30 milhões em investimentos federais. A cobrança reflete a preocupação com a "incapacidade do GDF de honrar seus compromissos", conforme apontado por Tiago.
O cancelamento do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro foi descrito como um "ato sem precedentes" que impacta negativamente o cinema nacional e os profissionais da cultura. A indignação é generalizada entre os envolvidos, que afirmam que o prejuízo para o setor será incalculável.
Com 60 anos de trajetória, o Festival de Brasília é o mais antigo do Brasil e, ao longo dos anos, enfrentou desafios como a censura durante a ditadura militar, período em que o evento foi suspenso entre 1972 e 1974. A última edição, realizada em 2022, comemorou seu legado e contou com uma programação especial, tendo como filme de abertura "O Agente Secreto", que concorreu a quatro Oscars. O grande vencedor da última edição foi "Futuro Futuro", de Davi Pretto, com a presença de nomes renomados como Alice Carvalho, Kleber Mendonça Filho e Maria Fernanda Cândido.
A interrupção do festival representa um duro golpe para a Economia Criativa e para a valorização do Cinema Brasileiro, que depende de eventos como este para se fortalecer e se manter vivo no cenário cultural do país.

