O Governador do Maranhão, Carlos Brandão, do MDB, fez duras críticas ao ministro Flávio Dino, que atua no Supremo Tribunal Federal (STF), questionando a competência da Corte para investigar um suposto esquema de corrupção no estado. Brandão argumentou que casos envolvendo governadores devem ser analisados pelo Superior Tribunal de Justiça, e que qualquer autoridade com foro diferente mencionada nas investigações deveria ter seus processos encaminhados às instâncias apropriadas.
A investigação em questão, conduzida por Dino, investiga possíveis obstruções de Justiça, desvios de emendas e contratos públicos, além de uma possível conexão com o assassinato do empresário João Bosco Sobrinho Pereira Oliveira, ocorrido em 2022, em São Luís. A Polícia Federal afirmou que o crime teria ocorrido após uma discussão sobre a divisão de propinas, e os valores movimentados nas transações podem ultrapassar R$ 14 milhões. Em um despacho recente, Dino classificou o Maranhão como um “ecossistema empresarial criminoso”.
Brandão também criticou a decisão de Dino de retirar o sigilo dos processos, comparando essa medida a uma recente decisão do ministro Alexandre de Moraes, que quebrou o sigilo da fonte do jornalista Luís Pablo. O governador questionou ainda o foco temporal da investigação sobre o caso Tech Office, que considera eventos a partir de 2022, mas ignora a reabertura, em 2019, de um processo administrativo que havia sido arquivado desde 2014.
Na época da reabertura do processo, a Secretaria de Educação era dirigida por Felipe Camarão, adversário político de Brandão, enquanto Dino ocupava o cargo de Governador do Maranhão. Brandão enfatizou que Dino manifestou apoio à pré-candidatura de Camarão ao governo estadual em 2025, reforçando a rivalidade entre os grupos políticos.
O governador também ressaltou que o grupo político ligado a Dino é atualmente seu opositor e criticou o fato de o ministro ainda ter influência sobre decisões que impactam o cenário político do Maranhão. A situação ganhou mais atenção após surgirem suspeitas de vazamentos de informações sobre a segurança de Dino e sua família, com o ex-secretário estadual Raimundo Cutrim sendo apontado como responsável por expor dados sobre os deslocamentos do ministro. Essa investigação está sob a relatoria de Alexandre de Moraes.