Pesquisa revela que 42% das mulheres já participaram de apostas online

Um estudo revelou que 42% das mulheres no Brasil já realizaram apostas online. O levantamento aponta também.
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Uma pesquisa divulgada nesta segunda-feira (17) revelou que quase metade da população brasileira já fez uso de apostas online, com 42% das mulheres afirmando que já participaram desse tipo de atividade. O estudo, intitulado “Mulheres & Bets: O impacto da epidemia de apostas online para as brasileiras e suas famílias”, foi realizado pela Clarice em colaboração com a Estratégia Latina e o Ideia.

Os dados indicam que 67% das mulheres entrevistadas acreditam que as apostas estão prejudicando as famílias brasileiras. O percentual entre os homens é de 59%. Além disso, as mulheres demonstram uma postura mais favorável a medidas restritivas: 62% delas apoiam a proibição dos jogos online, em contraste com 50% dos homens que compartilham dessa visão.

Outro aspecto relevante da pesquisa é a identificação de uma conexão entre as apostas e conflitos familiares. Cerca de 23% dos participantes relataram conhecer ou ter presenciado episódios de violência familiar associados às apostas. A pesquisa também destacou relatos de desestruturação familiar, impactos na saúde mental e superendividamento, com esses efeitos sendo mais evidentes entre os indivíduos das classes D e E.

Mariana Ribeiro, cofundadora e codiretora da Clarice, enfatizou que, embora o fenômeno das apostas seja frequentemente associado aos homens, as mulheres desempenham um papel crucial, mesmo aquelas que não apostam. "Onde tem aposta, tem uma mulher pagando a conta", afirmou. Ribeiro acrescentou que a perspectiva feminina é essencial para compreender a magnitude do problema e que qualquer estratégia de resposta deve considerar o papel social das mulheres.

Beatriz Della Costa, também cofundadora e codiretora da Clarice, destacou que as plataformas de apostas exploram expectativas relacionadas à melhoria da condição financeira e ao cuidado com a família. "As bets jogam com dois imaginários muito fortes", disse Della Costa, referindo-se à promessa de uma vida mais digna e à responsabilidade familiar.

O levantamento também incluiu sugestões para mitigar os efeitos das apostas, como o bloqueio do Pix para usuários que recebem benefícios sociais, uma proposta que obteve 45% de apoio entre os participantes. Além disso, 33% expressaram interesse na criação de um canal anônimo de suporte para aqueles afetados pelas apostas, percentual que sobe para 57% entre os apostadores frequentes.

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