Mensagem de sócia de Lulinha menciona vacina contra dengue durante tratativas do Butantan

Uma mensagem da sócia de Lulinha, Roberta Luchsinger, capturada pela Polícia Federal, faz referência à compra de.
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Uma recente investigação da Polícia Federal (PF) revelou uma mensagem da sócia de Lulinha, Roberta Luchsinger, que menciona a compra de uma vacina contra a dengue. O conteúdo da mensagem foi encontrado no celular da empresária e se destacou por coincidir com o avanço do imunizante desenvolvido pelo Instituto Butantan em seu processo de registro. Na mensagem, datada de 27 de janeiro de 2025, Roberta afirma: “ele vai comprar, está na fase técnica”, embora o diálogo não especifique qual vacina seria adquirida nem quem seria o responsável pela compra.

A relevância da mensagem aumenta quando se considera que, naquele período, a vacina do Butantan estava em fase de avaliação regulatória. Posteriormente, o imunizante recebeu a aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e passou a ser disponibilizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em 2026. A vacina se destaca por ser aplicada em dose única, um diferencial frente a outros imunizantes contra a dengue, com seu desenvolvimento tendo iniciado em 2009 e avançado até os estudos de fase 3.

Outro aspecto relevante no contexto da mensagem é a estratégia do Instituto Butantan para aumentar a produção do imunizante. O instituto firmou parcerias com empresas chinesas para viabilizar a fabricação em larga escala, uma medida necessária diante da demanda por vacinas. Essa decisão gerou críticas, incluindo questionamentos do ex-ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, sobre a transferência da tecnologia desenvolvida no Brasil para a China.

A discussão sobre a vacina do Butantan ocorreu em paralelo ao processo de incorporação do imunizante ao SUS. Reportagens levantaram a dúvida se a vacina brasileira seguiu o mesmo procedimento de análise da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) aplicado à vacina da Takeda. A investigação da PF também revelou que Roberta Luchsinger está sendo investigada por sua atuação em negociações que envolvem interesses privados e o governo federal.

Além disso, a PF encontrou evidências que sugerem a participação de Roberta em tratativas relacionadas à venda de produtos à base de canabidiol ao Ministério da Saúde. Fábio Luís da Silva, conhecido como Lulinha, é mencionado nas conversas como um dos envolvidos nas articulações promovidas pela lobista. Apesar disso, até o momento, não foram identificados negócios concretos entre Lulinha e o governo federal.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) declarou, em manifestação recente, que as investigações não apontaram a finalização de acordos entre Antônio Carlos Camilo Antunes, apelidado de “Careca do INSS”, e o poder público, reforçando a complexidade das tratativas em curso.

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