Investigação da PF apura negócios de R$ 627 milhões ligados a Lulinha

A Polícia Federal investiga negócios que podem envolver Fábio Luís Lula da Silva, a lobista Roberta Luchsinger.
WhatsApp
Facebook
Twitter
Print

A Polícia Federal (PF) está investigando três frentes de negócios que podem estar ligadas a Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, à lobista Roberta Luchsinger e ao empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, popularmente chamado de Careca do INSS. As propostas em análise totalizam R$ 627 milhões e incluem a comercialização de medicamentos à base de cannabis, testes para dengue e outras arboviroses, além de possíveis parcerias com a Indústria Química do Estado de Goiás (Iquego).

Até o momento, nenhuma das iniciativas resultou em contrato com o governo federal. A PF investiga se os contatos estabelecidos pelos envolvidos tinham a intenção de facilitar o acesso a interesses empresariais privados dentro da administração pública. A atuação de Lulinha é considerada pelos investigadores como uma tentativa de manter uma “comunhão de interesses econômicos” com Roberta, podendo beneficiá-lo indiretamente nas articulações feitas pela lobista.

O Ministério da Saúde declarou que nenhuma das propostas apresentadas teve encaminhamento ou repercussão em sua pasta, reforçando que suas aquisições seguem os trâmites normais de contratação pública.

Uma das frentes que está sob análise refere-se à proposta de comercialização de medicamentos à base de cannabis. De acordo com a PF, as tratativas entre Roberta e Careca do INSS começaram em fevereiro de 2024. No mês seguinte, ambos participaram de uma reunião com Swedenberger Barbosa, que na época ocupava o cargo de secretário-executivo do Ministério da Saúde, para discutir a regularização e a comercialização dos produtos no Brasil.

Após a reunião, foi informado que a regularização dos medicamentos era de responsabilidade da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Apesar disso, as negociações continuaram e o projeto previa a compra centralizada de aproximadamente 1,2 milhão de frascos de medicamentos por quatro empresas, incluindo a WorldCann, que está ligada a Antunes.

As investigações sobre as três negociações fazem parte de um inquérito mais amplo que busca elucidar a atuação de Lulinha, Roberta e de empresários interessados em contratos com o governo federal. A PF procura determinar se o filho do presidente utilizava sua influência junto a representantes do governo para favorecer interesses privados, bem como o papel de Roberta como intermediária entre empresários e autoridades.

PUBLICIDADE

Relacionadas: