A Defesa de Filipe Martins, que atuou como assessor especial para assuntos internacionais durante o governo de Jair Bolsonaro, anunciou ter conseguido identificar as pessoas envolvidas em um registro migratório que é considerado fraudulento pela Justiça dos Estados Unidos. Esse registro foi utilizado no Brasil para fundamentar a prisão preventiva do ex-assessor. A informação foi divulgada por meio do advogado Ricardo Scheiffer.
Ricardo Scheiffer destacou que já possui os nomes dos responsáveis e as mensagens trocadas entre eles dentro do sistema, embora esses dados ainda estejam protegidos pelo sigilo do processo que tramita nos Estados Unidos. A declaração surge após uma ordem do juiz federal americano Gregory A. Presnell, que solicitou que as autoridades dos EUA apresentem documentos e comunicações internas para esclarecer a inserção do registro incorreto no sistema migratório e identificar os envolvidos.
O caso em questão refere-se a um registro que indicava a entrada de Filipe Martins nos Estados Unidos em uma data específica, informação que foi posteriormente contestada pelas autoridades americanas. Uma auditoria realizada pela Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA (CBP) concluiu que o ex-assessor não havia ingressado no país na data mencionada. Em outubro de 2025, a CBP reconheceu que o registro utilizado no processo brasileiro resultou de uma falha em seu sistema.
A defesa de Martins está utilizando um processo baseado na Lei de Liberdade de Informação dos Estados Unidos, conhecida como FOIA, para acessar documentos relacionados ao registro migratório. O objetivo é obter autorização judicial para acessar integralmente as informações mantidas pelas autoridades americanas, com a intenção de divulgar os nomes já identificados.
Scheiffer ressaltou a importância de trazer esses nomes à tona tanto para as autoridades brasileiras quanto para as americanas. Além disso, o advogado expressou preocupações sobre a resistência da CBP em fornecer todos os documentos solicitados, considerando que a agência deveria priorizar a transparência e a elucidação das circunstâncias que levaram à criação do registro.
Após a conclusão do processo nos Estados Unidos, a defesa planeja levar o caso a organismos internacionais, incluindo a Corte Interamericana de Direitos Humanos e a Organização das Nações Unidas (ONU). Scheiffer enfatizou que a investigação sobre o registro migratório pode ter repercussões que vão além do caso específico de Filipe Martins, podendo levantar novos questionamentos sobre outros processos que envolvem apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro.

