O Tribunal de Contas do Estado do Paraná (TCE-PR) revelou que os municípios do estado gastaram R$ 1,2 bilhão com shows e eventos artísticos entre 2021 e o primeiro semestre de 2026. Durante esse período, 393 prefeituras contrataram um total de 1.158 artistas, incluindo cantores, duplas e grupos musicais.
Os dados fazem parte do Painel de Gastos com Eventos Municipais, uma ferramenta que apresenta informações detalhadas por meio de gráficos, mapas e tabelas, permitindo a consulta dos gastos por município, período, artista contratado e a origem dos recursos. Apenas seis dos 399 municípios paranaenses não registraram despesas com esse tipo de evento durante o período analisado: Campo do Tenente, Guaporema, Nova Cantu, Paulo Frontin, Pinhal de São Bento e Piraquara.
O TCE-PR identificou 10.900 empenhos que somam valores a partir de R$ 20 mil. As despesas são classificadas nas categorias contábeis de “Festividades e Homenagens” e “Contratação Artística e Cultural”. O presidente do TCE-PR, conselheiro Ivens Linhares, destacou que a ferramenta tem um caráter meramente informativo e não busca emitir juízo de valor sobre os gastos públicos com artistas.
"O direito à cultura e ao lazer é assegurado pela Constituição. O painel possui caráter exclusivamente informativo e foi desenvolvido com a finalidade de induzir a transparência e a boa gestão dos recursos públicos, sem a emissão de qualquer juízo de valor quanto à pertinência da promoção de eventos culturais", afirmou Ivens Linhares.
A Corte de Contas TAMBÉM ressalta que a responsabilidade pela precisão das informações é dos representantes legais e responsáveis técnicos que registraram os dados, conforme estabelece o artigo 239 do Regimento Interno do TCE-PR. A ferramenta ainda possibilita a comparação dos valores alocados para shows com a receita de cada município e os investimentos realizados nas áreas de saúde e educação.
Análises realizadas pelo TCE-PR apontaram indícios de que recursos destinados a áreas específicas, como saúde, educação básica, Fundo do Idoso e Fundo Municipal de Reequipamento do Corpo de Bombeiros (Funrebom), estariam sendo utilizados para custear apresentações artísticas. O Tribunal informou que instaurará procedimentos de fiscalização nos casos em que forem constatadas irregularidades na utilização desses recursos.

