A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) decidiu, de forma unânime, que a gestora Centaurus Capital deve proceder com uma oferta pública de aquisição de ações da Oncoclínicas. A deliberação ocorreu na terça-feira, dia 25, e contraria a interpretação da área técnica da autarquia, que havia entendido que a operação não seria obrigatória. O valor da transação pode superar os R$ 6 bilhões.
O julgamento foi finalizado com três votos a zero, contando com a participação do presidente da CVM, Otto Lobo, e dos diretores João Accioly e Igor Muniz. A diretora Marina Copola foi impedida de participar da análise, e atualmente, uma das cadeiras do colegiado permanece vaga.
A decisão da CVM está relacionada a uma cláusula do estatuto da Oncoclínicas, que obriga a realização de uma oferta aos demais acionistas quando um investidor ultrapassa 15% de participação na empresa, após a abertura de capital em 2021. A controvérsia teve início depois de uma reorganização do capital investido por Goldman Sachs e Centaurus, sendo que, em 2024, a participação da gestora americana passou a se concentrar no fundo Josephina III.
A Centaurus argumenta que já tinha interesse na Oncoclínicas desde 2018, quando era cotista de fundos associados ao Goldman Sachs, e por isso, a reorganização não deveria ser considerada uma nova aquisição que acionaria a cláusula do estatuto. No entanto, a área técnica da CVM tinha adotado essa visão, mas o colegiado reviu a interpretação após um recurso de acionistas minoritários.
Entre os investidores que apoiam a realização da oferta está a Latache, que possui aproximadamente 14,59% das ações da Oncoclínicas, tornando-se a maior acionista individual da companhia. Após a decisão da CVM, acionistas minoritários se mobilizaram para buscar respaldo judicial que assegure a realização da oferta, independentemente da disputa entre Centaurus e Latache. A preocupação é que a arbitragem iniciada pela Centaurus não impeça a participação dos demais investidores na operação.
Os acionistas também estão debatendo a definição de quem poderá participar da oferta, cujo valor final dependerá dos critérios estabelecidos no estatuto e da habilitação dos acionistas. A expectativa em torno da oferta provocou uma expressiva valorização das ações da Oncoclínicas, que chegaram a aumentar quase 30% no dia 26, em razão da possibilidade de uma oferta com valor significativamente superior ao preço de mercado atual.