A Polícia Federal (PF) revelou que Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, autorizou a emissão de cartões de crédito no valor de R$ 300 mil cada para Giuliana e Alexandre Barci de Moraes, filhos do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes. As mensagens que confirmam essa autorização foram extraídas do celular do banqueiro e datam de outubro de 2025.
A solicitação para a emissão dos cartões foi realizada por Guilherme de Toledo Benazzi, administrador do escritório Barci de Moraes, que é dirigido pela advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro. No dia 2 de outubro de 2025, Benazzi contatou Vorcaro pedindo um contato no Banco Master para tratar sobre os cartões de crédito. Vorcaro prontamente forneceu o contato de Adriana Solano, funcionária do banco.
Em uma nova mensagem, Adriana procurou Vorcaro para confirmar se poderia dar andamento à emissão dos cartões, mencionando que a solicitação partira de Guilherme, colaborador de Viviane. A resposta de Vorcaro foi um simples "Ok", indicando sua aprovação para prosseguir com o pedido.
As mensagens fazem parte de um relatório da PF que investiga as interações entre Vorcaro e pessoas ligadas ao ministro Alexandre de Moraes. O material foi enviado ao ministro André Mendonça, que agora analisa os dados coletados pela corporação. Para que um membro do STF seja formalmente investigado, é necessária a autorização do plenário da Corte.
Além dos cartões de crédito, o relatório da PF também menciona um contrato significativo entre o escritório de Viviane Barci e o Banco Master, que chegou ao montante de R$ 131 milhões. Esse contrato, firmado em janeiro de 2024, previa pagamentos mensais de R$ 3,6 milhões.
Os documentos obtidos pela PF também revelaram que Vorcaro manteve conversas sobre a necessidade de proteção de indivíduos identificados como “Paulo” e “Andrei”, que foram associados ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, e ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. Acredita-se que o destinatário dessas mensagens seja Moraes, o que levanta mais questões sobre as relações entre o banqueiro e o ministro do STF.