A Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) formou uma maioria para afastar Andrei Rodrigues da direção-geral da Polícia Federal. A decisão ocorre em um contexto de crescente tensão entre o STF e a PF, especialmente após a divulgação de documentos que revelam a ligação entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master.
No dia 1º de setembro, o ministro André Mendonça retirou o sigilo de investigações que continham dados extraídos do celular de Vorcaro. Esses registros incluíam mensagens e encontros que envolviam o banqueiro e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa de Alexandre de Moraes. Os documentos, classificados como Informação de Polícia Judiciária de Análise (IPJ-A), foram enviados a Mendonça em 27 de agosto.
Conforme a PF, o celular de Vorcaro apresentava quatro registros diferentes relacionados a um mesmo número de telefone, que era compartilhado pelo ex-ministro das Comunicações, Fábio Faria, em dezembro de 2023. Além disso, a investigação revelou mensagens enviadas por Vorcaro para o contato registrado como “Alexandre de Moraes BRASILIA”.
A crise se intensificou na última quinta-feira (3), quando Moraes solicitou ao presidente do STF, Edson Fachin, relatórios da PF que indicavam possíveis irregularidades nas ações de Mendonça em operações denominadas Sem Desconto e Compliance Zero. Esse episódio levantou questionamentos sobre a produção e a circulação de documentos de inteligência da PF.
Na terça-feira (8), Mendonça decidiu afastar Andrei Rodrigues e o diretor de Inteligência Policial, Leandro Almada da Costa, após pedidos do partido Novo para a prisão e afastamento de Andrei. O ministro alegou a “superlativa gravidade e ilicitude” na elaboração dos relatórios divulgados por Moraes e mencionou que ele e o advogado-geral da União, Jorge Messias, foram alvos das investigações da PF.
Além do afastamento, Mendonça ordenou que a Polícia Federal investigasse os acontecimentos relacionados e suspendeu a produção e o compartilhamento de relatórios de inteligência que visavam à análise de atos praticados no exercício de funções constitucionais. A decisão sobre o afastamento de Andrei e Almada foi levada ao STF, mas o julgamento foi interrompido após um pedido de vista do ministro Gilmar Mendes.