André Mendonça, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), implementou novas estratégias de segurança em suas reuniões privadas após ser informado de que sua rotina e ações estavam sendo monitoradas pela inteligência da Polícia Federal (PF). Como parte das medidas, ele orientou visitantes a deixarem seus celulares em uma caixa blindada, que tem a capacidade de bloquear sinais, visando proteger suas conversas.
Além disso, o ministro passou a utilizar um sistema de som que reproduz música erudita durante as discussões particulares, uma tentativa de dificultar possíveis captações de áudio. Essas mudanças foram motivadas pelo acesso a documentos da PF que revelaram a produção de pelo menos seis relatórios sobre sua atuação em investigações, incluindo as operações Sem Desconto, que investiga fraudes no INSS, e Compliance Zero, relacionada ao Banco Master.
Os relatórios foram enviados à direção-geral da PF entre os dias 3 e 31 de agosto. O material, que não apresentava timbre, assinatura ou data de elaboração, foi classificado como “documento de trabalho”, sem valor probatório. A situação ganhou destaque no STF quando o conteúdo dos documentos foi encaminhado ao gabinete de Alexandre de Moraes. Em 1º de setembro, o então diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, formalizou o envio dos relatórios a Moraes.
Dois dias após o recebimento, Moraes utilizou as informações contidas nos documentos para solicitar a investigação de Mendonça no inquérito das Fake News. Esse episódio ocorreu em um período em que o ministro havia determinado a liberação do sigilo de documentos relacionados à investigação do Banco Master, que revelavam a conexão entre o empresário Daniel Vorcaro e Moraes.
Em sua decisão que resultou no afastamento de Andrei Rodrigues e do diretor de Inteligência Policial, Leandro Almada, Mendonça afirmou ser alvo de um monitoramento sistemático por parte da inteligência da PF, considerando essa prática ilegal e comparando-a a uma “verdadeira arapongagem institucional”. Ele fez uma analogia com a atmosfera de vigilância descrita na obra 1984, de George Orwell.
Mendonça enfatizou que o monitoramento de um Ministro da Suprema Corte é um indicativo da gravidade da situação. Além de afastar os dois dirigentes, ele determinou que a Corregedoria da PF investigue a origem da determinação para a produção dos relatórios e identifique os agentes envolvidos na sua elaboração. A apuração deverá também verificar se existem outros documentos com finalidades semelhantes.